Friday, July 03, 2009

>>India!<<

by mulato!

Clica aqui: Shanti aur Pyaar!

Thursday, November 29, 2007

The End...



Tuesday, September 04, 2007

potente...

"as mentiras da verdade"

ò tu!

Há uma coisa que ainda não entendi... Porque é que há tantos tugas que tratam os moçambicanos em geral por tu?

Aceito esclarecimentos!

Monday, September 03, 2007

Serão os Polícias o maior perigo de Maputo?

Nos meus primeiros dias em Maputo, já quase há dois anos, estranhei a quantidade de armas que desavergonhadamente se mostravam a cada esquina. Nas mãos dos polícias, nas mãos dos guardas que dormem à porta dos prédios, nas mãos de bandidos, etc. Rapidamente me habituei a conviver com as velhas AK47 Kalashnikov conhecidas por serem fiáveis, certeiras e também por serem a arma que mais gente matou no mundo.

Durante o ano passado no entanto, nunca vi nenhuma disparar. Ouvi algumas vezes, mas nunca vi.

Ora o mesmo já não se pode dizer este ano... Amiga com carro alvejado, relatos e relatos de tiroteios, tiros à porta do restaurante, tiros na estrada, tiros nos passeios, tiros à porta do trabalho... hummm... começa a ser demais não?

Afinal estas velhas armas às quais me habituei tão descansado que eram só para fazer figura ainda disparam.

Hoje acrescentei mais uma experiência à minha lista de experiências exóticas: rajada de kalashikov numa rua escura dá boa luz. Ao contrario da maioria das experiências que junto nesta lista (conduzir um Land Rover nos corredores de um supermercado entrando pelo corredor dos atoalhados e saindo pelo das hortaliças, ser apanhado em frente a uma câmara de televisão ao lado de um ministro que grita VIVAS à FR&L#O em Moçambique, etc.) esta não é – de nenhum prisma – interessante ou divertida.

Ia a casa de uns amigos e seguindo por uma rua escura (a 100 metros da melhor zona da cidade) vi de relanço a sombra de policias a correr (pareceram me policias pelos chapéus). Escaldado com a “acção” dos últimos tempos intuitivamente travei forte e ao mesmo tempo sai uma rajada tiros. Marcha atrás, pé a fundo no acelerador e a pobre L200 arranca numa chiadeira digna de hollywood. Depois de me afastar um pouco faço uma inversão de marcha meio desajeitada (comparada com aquelas dos filmes americanos) mas de uma rapidez nunca experimentada, que roçou o capotanço, tangentes a árvores e violentos abanões ao galgar uns passeios. A arte da manobra mudou de sitio tudo o que estava dentro do carro (menos eu porque levava cinto de segurança). Cinco minutos mais tarde, depois de apanhar os óculos de sol e carteira caídos num canto, o telemóvel noutro e uma caixa de xiclas a custo descoberta debaixo de um banco ainda me tremiam as pernas e a voz. Sou um menino, eu sei...

Srs policias, se me estão a ouvir: armas automáticas não se podem disparar assim de animo leve, durante uma corrida atrás de um carteirista qualquer ok? Todos sabemos que os senhores andam com os nervos à flor da pele, que ganham um salário de miséria, etc. mas ha uma coisa que deviam (dica de leigo hã!) começar a ter em conta: danos colaterais!

Já agora: pá... essa história de tentarem sempre sacar massa quando mandam um gajo parar também já acabava... não são todos, mas umas boas 6 em cada 10 vezes que sou manado parar vocês batem se “ao refresco”...

Então, serão os polícias o maior perigo de maputo?

Sim, empatados com os Chapa100, com a arrogância de certas pessoas, etc...

Tuesday, August 28, 2007

lnovação em Moçambique



Estas fotos foram roubadas de um laboratório militar moçambicano.
Estão a desenvolver uma ambulância que não emite gases de estufa que tanto preocupam o "mundo desenvolvido" e tanto estão a afectar o "mundo sub-desenvolvido".

Vem equipada com suporte para o soro na célula sanitária e no cesto da frente podem-se encontar luvas de latex, compressas, etc.

Nice não? Se o INEM descobre troca logo os VW!
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Sunday, August 26, 2007

classicos - FACIM 2007


será mesmo por acaso que a bandeira portuguesa aparece tantas vezes "acidentalmente" hasteada ao contrário?
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"como num tapete voador que nos leva"

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flora da savana



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Thursday, August 23, 2007

"problema de transporte"


Bem se queixa a população de Maputo e com razão... Há pessoal que sai de casa às 4 da manhã para chegar ao trabalho às 7...
Se um chapa normalmente leva 23 pessoas sentadas, quantas levará este?
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Monday, August 20, 2007

maus esperitos e imputência...


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Saturday, August 18, 2007



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Monday, August 13, 2007

pérolas... da áfrica do sul!

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Thursday, August 09, 2007

pérolas de moçambique VI

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pérolas de moçambique V

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Monday, August 06, 2007

kruger national park



Já fui ao kruger várias vezes. Umas sete se bem me lembro... Fico sempre surpreso com a fauna de animais selvagens que é possível observar.

Deixem me lembrar os mais distraídos que a regra numero um do kruger park é que não se pode sair do carro. Teoricamente nem se pode expor qualquer parte do corpo fora do veiculo (tipo braços com uma maquina fotográfica...).

Depois acham estranho que volta e meia um leopardo, leão ou uma puff adder se lembrem de fazer estragos...
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Friday, August 03, 2007

pérolas de moçambique IV



Ao que parece, com a cooperação de um país estrangeiro qq, foram instalados novos semaforos em muitos dos cruzamentos de Maputo. Até aqui tudo bem.
O problema surge quando já passam várias semanas e os semaforos velhos não são retirados... Mais um exemplo da eficiencia das autoridades moçambicanas quando se trata de zelar segurança... O assunto não é grave... qual é a pressa? Na mondlane, por exemplo, avenida que para alguns mais parece uma pista de corridas pois lá ultrapassam os 100km/h e que tem vários cruzamentos, qual é o problema de não se conseguir ver um semaforo?
(na realidade o problema não é muito grande, pois muitos também não os cumprem... mas ok...)
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Tuesday, July 24, 2007

Rainbow nation? YEBO!

Estou há 45 minutos sentado numa esplanada de um shopping numa cidade sul africana. Observo. Apenas observo o passar das pessoas.

Passa uma família branca. Uma criança de uns 10 anos, feliz, salta pelo corredor fora. Tudo normal, não fosse o facto de estarmos em pleno Inverno austral a 600m de altitude e de ela ir descalça! Com esta imagem os meus pensamentos voam para a minha ideia dos sul africanos brancos... selvagens e espalhafatosos ou desinibidos e apaixonados? Livres ou oprimidos? Racistas ou será que nem por isso?

Rótulos à parte, eu vejo duas linhas no estereotipo do sul africano branco. São uma mistura curiosa. Claramente europeus na maneira como encaram os negócios, “we will make a plan” “we will grow this business no matter what!”, claramente british no modo como só se divertem quando se enfrascam forte e feio ao longo do fim de semana inteiro e claramente africanos pela forte ligação que sentem à terra! São os maiores fãs de campismo que conheci até à data e andam sempre descalços!

Em geral empreendedores e bem formados, surgem depois as variações, as tais das duas linhas do estereotipo. Uns gerem negócios flexíveis, viajam frequentemente por todo o país e mundo. Acreditam no Arco Íris e sentem-se estimulados pelos desafios que vivem. Muitos saíram cedo de casa e já passaram alguns anos pelo mundo a fazer um pouco de tudo! Outros, vivem aterrorizados pelo black empowerment, irados com o novo “pseudo-apartheid-comportamental-e-de-oportunidades”. Fazem a vida entre os condomínios electrial-fences-armed-response-keep out-prossecuters-will-be-shot” e os shoppings. Pensam emigrar a curto médio prazo (foi o que já fez 25% da população branca nos últimos anos...)! Optimo, façam-no! Vão!

Tendo em consideração as voltas que o país tem dado nos últimos tempos... os desafios sociais, económicos e políticos em que vivem, que tudo é muito fresco, recente e que coisas assim não mudam de um dia para o outro, nem estão mal. O apartheid deixou muito ódio. Não fosse o grande Mandela apelar ao perdão como forma definitiva de liberdade e seguramente que ainda hoje as represálias seriam mais violentas. Para nós – resto do mundo – o apartheid parece longínquo, inverosímil, medieval... mas a realidade é outra. Mesmo os jovens ainda se lembram desse execrável regime. Ainda o viveram.

O país ajusta-se diariamente em condições de dinâmica ainda não estacionária. Essa reverberação sente-se... ainda.

Agora, apesar das (para mim) controversas e discutíveis medidas do black empowerment, facto é que estou aqui, a olhar para uma janela, uma amostra da sociedade deste país. Clientes do shopping brancos e pretos passam em frente dos meus olhos sem aparentes diferenças económicas. Nas lojas, nos bancos, restaurantes, oficinas,..., brancos e pretos trabalham lado a lado, etc. Óptimo! (pode parecer obvio que assim seja ao leitor europeu que desconhece este mundo, mas de facto, aqui, ainda recentemente não era assim...)

De repente: BUM! Mas?... Não pode ser... em vez de focar no individuo foco os grupos que passam. Parecem ser só brancos com brancos e pretos com pretos... durante 15 minutos perscruto o fluxo humano e efectivamente começo a desanimar... brancos com brancos, pretos com pretos... rrr...

Finalmente três miúdas passam alegremente cheias de sacos de compras. Uma branca, uma preta e uma indiana! Falam, riem, tudo normal! Curiosamente falam português. Mais 10 minutos passam sem que esta sociedade se mostre assim tão arco-íris como se quer mostrar ao mundo. Finalmente um casal de namorados, uns minutos depois, três amigos, depois uma tiâzorra toda british passa com um senhor de meia idade, traje formal e... africano! Afinal foi só susto! A rainbow nation está mesmo a começar a sê-lo! É uma questão de tempo, estou seguro disso!

Hamba South Afrika! Simunye! *

*Força África do Sul! Estamos juntos!

Thursday, June 14, 2007

emigrantes

no blog da amiga catarina encontrei este post:

"(...) Quero apenas estar, parar, respirar, ver os amigos de todos os dias e ver aqueles que há muito não vejo; comer peixe grelhado todos os dias; sair com o meu próprio carro e fazer quilómetros até me apetecer parar; mudar de praia de duas em duas horas; mergulhar; chegar a casa às dez da manhã depois de uma noitada e não perder as sardinhas, nem o arroz doce do Santo António! É isto tudo que eu quero!
Sendo assim como boa semi-emigrante que sou regresso à minha terrinha para um PORTUGAL SUMMER TOUR! (...)"

os que convivem comigo já tiveram oportunidade (leia-se infelicidade) de ver como tenho andado insuportável nestes últimos tempos...
só penso nas férias... e é mesmo o q a catarina escreve q eu sinto! não quero nada de muito glamouroso, nada de muito xpto... so quero a minha anterior vida de volta por 14 dias... puxa, como doí...

será que já sou emigrante a sério? eheheh!

Sunday, June 10, 2007

mal se ouvia...

musica nunca falta... dB também não!
valha-nos isso!
;-)

Sunday, June 03, 2007

Oportunidade de negócio para Moçambique!

O Sr. Presidente Gebuza já fez declarações à imprensa a afirmar que este vai ser um cluster prioritário para o desenvolvimento do PIB per capita do país.

Friday, June 01, 2007

momento de nostalgia...





lá há melhor carro para ter em áfrica?
grande imortal... vendido, mas jamais esquecido!

evasão!

Sunday, May 27, 2007

Pátria Desabensonhada

Maputo tem coisas muito giras! Uma dessas coisas é o teatro. As peças do grupo gungu no madjedje são por norma comédias de critica social (digo isto do alto da minha tremenda experiência e sapiência... fui la duas vezes!). Boas peças, casa cheia (os bilhetes são baratíssimos), muito à vontade dos actores e do publico são alguns dos ingredientes que se juntam para formular o sucesso.

Desta vez foi melhor ainda pois o amigo Abuchamo (conhecido na praça por buch!) que saiu durante a ano passado do anonimato para os anúncios da Mcel, resolveu não ficar pela publicidade, investir numas aulas de teatro e o resultado foi a sua estreia na peça Pátria Desabensonhada!

Desabensonhada é uma palavra tipicamente moçambicana. Cocktail de: Conseguir sonhar -> não conseguir sonhar -> desconseguir sonhar -> desconsonhar; e de: abençoada -> não abençoada -> desabençoada... sheik sheik mistura -> desabensonhada!

Tipicamente moçambicana é também a peça: divertida, mexida, ... e... dramática.

Depois de uma sucessão de peripécias “normais” há um ultimo sketch (não faço ideia se se pode usar o termo sketch em teatro... provavelmente não...) sobre a tragédia da explosão paiol. Esse sketch é extremamente triste. No fim da tragédia há indignação, raiva, vontade de responsabilizar, etc. e depois... numa rápida sucessão de passos - que incluem um cromo do governo a aparecer a dizer que vai haver indemnizações mensais de 850 meticais (25 euros) para as famílias das vitimas, de repente ja estão todos a rir e a dançar. E os Moçambicanos como dançam!

Foi muito estranho... a peça falou directamente de uma tragédia real, que assolou esta cidade há menos de 2 meses. Todos perderam alguém ou conhecem alguém que perdeu alguém. Todos viram e quase todos sofreram avultados prejuízos. Como é possível passados 2 minutos estarem todos a rir e a dançar?

Bem sei que é assim mesmo, todos reconhecemos ao povo africano a estóica capacidade de viver com alegria, de superar adversidades, etc. Afinal, tristezas não pagam dividas!

Mas não levará esta atitude a alguma desresponsabilização? Não levará esta atitude a algum facilitismo? Se calhar se houvesse um pouco mais de pressão e de responsabilização, o paiol não tivesse ardido duas vezes e 100 vidas tivessem sido poupadas... (afinal o paiol já tinha claramente avisado – uns meses antes - que estava prestes a explodir).

Se calhar se houvesse mais responsabilização cada vez que há acidentes com transportes públicos, hoje já não teríamos chapas sobre-lotados a andar a 140 nas estradas nacionais com borracha de câmara de ar a apertar as ponteiras da direcção para atenuar as folgas e pastilhas de travão coladas no meio do pó debaixo de cajueiros...

Se calhar...

Se calhar...

Fiquei baralhado confesso... o Buch diz que um dia me há de explicar o fim da peça... Aguardo!

Friday, May 25, 2007

modo vagabundo

mais ou menos por acaso encontrei esta foto na net:não sei porquê despertou em mim uma vontade de doar os meus sapatinhos de pala, calcinhas pipis e camisas impecáveis para o mercado das calamidades, comprar uma moto e entrar tranquilamente em modo vagabundo por esta áfrica acima até chegar a casa...

txi... ;-)

Thursday, May 24, 2007

áfrica é uma selva...

royal swazi spa

;-)

eheheh! e mais não mostro, mas posso dizer que meteu pedras quentes, óleos, música minimalista, sauna, ..., ..., ...

Tuesday, May 22, 2007

postal ilustrado do maputo - por: elisa santos

É bom voltar a Maputo, descobrir que tinha saudades da cidade. Passeio por ela e percebo que afinal já me mexo aqui como quem mora em casa.
Esta cidade é justa. Devia ser eleita a cidade mais justa de África, mesmo se são poucas as cidades de África que eu conheço.
Em Maputo respira-se porque as ruas são feitas para respirar: respira-se trânsito às 6 da tarde como às 6 da manhã. Respira-se frangipani e relva cortada, respira-se cheiro de gente em chapa repleto, chamuças fritas e por de sol em fim de dia.
Em Maputo vive-se porque as ruas foram feitas para viver: vive-se em prédios altos, nos quintais, em vivendas, nas barracas, nas esplanadas, na paragem, no passeio do jardim.
Em Maputo come-se porque as ruas foram feitas para comer: amendoim, caju acabado de descascar, alface, chuinga, banana, papaia, caranguejo, tomate, cacana, five roses, bolachas.
Em Maputo é-se porque as ruas foram feitas para se ser. É-se com toda a gente que passa. Com gente de cor, com gente sem cor, com gente de farda cinzenta, com gente sem roupa, com crianças da escola e mais velhos que pedem.

Entenda-se o que quero dizer!

Maputo é justa porque tudo o que é está em Maputo, sem ser preponderante, fazendo a cidade e não sendo a cidade.
Não há brancos demias nem negros demais, nem crianças ou velhos demais. Não há lixo demais, nem loucos a mais, nem pedintes demais. O próprio trânsito só é demais naquela hora em que é normal, não demais.
Nem os vendedores ocupam demais o espaço do passeio, nem o calor é demais porque há sempre uma sombra mais.

Maputo é justa.

Quando de novo aqui cheguei foi tudo suave como se eu não sentisse nada. E depois fui percebendo que a cidade me faltava e que eu não tinha dado por isso.

Esta sensação sim, é demais!

Sunday, May 20, 2007

FCP

23h15m, domingo. Maputo em festa pelo FCP.
Embora não ligue ponta de corno a futebol, não posso deixar de sentir algo ao ver a festa que se vive a 11.000km de Portugal... até um autocarro double decker descapotável anda pelas ruas com malta aos saltos a cantar, dançar e acenar bandeiras!

Thursday, May 17, 2007

orfanato de madre maria clara




e assim acontece, todas as quartas feiras, ma'rrrénato (eu!), mana leonor e mano joão lá vamos cumprir o nosso compromisso para com as meninas do orfanato: providenciar aulas de apoio ao estudo.

o projecto chama-se "ser humano", apoia-se em explicadores voluntários e foi desenvolvido pela TESE em conjunto com as irmãs que zelam pelo orfanato.

já começamos há dois meses e picos e está a ser uma optima experiência! as meninas são super dedicadas e respeitadoras.

para quem quiser apoiar este orfanato: http://casamariaclara.no.sapo.pt/
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Tuesday, May 15, 2007

mistérios das arábias!

Quem é que me consegue explicar o seguinte:

Os árabes escrevem e lêem da direita para a esquerda.
Nós escrevemos e lemos da esquerda para a direita.

Se nós usamos a numeração árabe e não são os árabes que usam a "nossa" numeração, porque é que os números são escritos e lidos da esquerda para a direita?
Imaginam a confusão que deve fazer estar a ler da direita para a esquerda (que já de si não deve ser fácil! ehehehe!) e depois quebrar o fluidez do movimento dos olhos para decifrar números que estão escritos ao contrário? Com números pequenos ainda é fácil, agora com números grandes deve ser - no mínimo - cansativo.

O paraíso Moçambicano

Tudo começou há cerca de dois meses atrás. Decorria uma reunião geral da empresa onde trabalho. Lá para o fim da reunião que estava a correr bem, alguém se levanta e cheio de coragem fala de racismo, etc. O burburinho generalizado que se seguiu provocou-me um arrepio de cima a baixo e desde então passei a ver tudo com outros olhos. Seis anos depois de ter pisado este continente pela primeira vez e quase um ano e meio depois de estar cá a morar a bolhinha da minha inocência rebentou de vez . Apercebi-me de como toda esta sociedade é extremamente racista. Pequenas coisas que dantes eu não ligava, fazem agora sentido.

Nesta África Austral há empresas que orgulhosamente afirmam ser agora propriedade de pretos e geridas por pretos. Essas empresas fazem disso bandeira, BLACK POWER! Como se o facto da empresa ser gerida or brancos, pretos, azuis ou amarelos fosse relevante para alguma coisa... Pelos vistos, por aqui é. A importância que se dá à chamada raça aqui é brutal...

Há uns tempos estava na África do Sul numa formação. No final da primeira aula circula uma folha de presença. Fazem ideia que informação pede essa folha? Nome, empresa e raça. Sim, RAÇA! Por baixo dos outros Whites, Africans e Indians eu escrevi “Human”... Inacreditável... pelo menos para mim, europeu de gema.

Outras questões:

Os moçambicanos revoltam-se e fazem a vida negra aos estrangeiros que vêm para cá ganhar salários megalómanos (para eles), mesmo que isso leve a que a empresa se desenvolva e não se revoltam com os “boys” do partido, colocados em cargos elevados de empresas, que também ganham fortunas e só lá aparecem de vez em quando...

Revoltam-se com quem se esforça para levantar a empresa porque os salários são muito altos e não se revoltam com as pessoas que embora ganhem pouco não acrescentam qualquer valor e passam o dia escondidos à sombra ou a jogar paciências no computador.

Porquê isto?

Depois são os roubos... infelizmente os roubos são uma praga que ataca toda a região. Desde a coisa mais simples que é emprestar uma caneta a alguém numa fila da fronteira e esse alguém desaparecer com ela (Esperei 20 minutos. O jovem não voltou a aparecer), aos roubos de rua (esta semana foram os espelhos do carro...) para não falar nos roubos regulares dentro das empresas...

Mais maravilhas do paradisíaco Moçambique?

Os polícias (alguns) que se armam em profissionais e sérios, até que ao fim de algumas horas a dificultar a vida ao estrangeiro um gajo se farta de uma conversa de surdos, manda-lhes 400 paus (12 euros) para o focinho, vira costas e está tudo bem. Depois fazer queixa? Como? Os gajos recusam dar identificação, quando se consegue a identificação, liga-se para o gabinete da corrupção e ninguém atende, ou o numero já não existe. Um granel.

Hoje tive de ir pedir o registo criminal para tratar de uns documentos. Entrei e já nem liguei ao facto de ninguém conhecer o conceito de fila - fila organizada é um daqueles conceitos que faz sentido para a cultura europeia, mas que não deve fazer para os africanos. Aqui, o mais forte, mais esperto e mais cara de pau safa-se primeiro. Está certo! É como a lei da natureza – selecção natural. Este ponto não estou a criticar, estou só a constatar. As culturas europeia e africana são diferentes e eu compreendo e respeito isso.

Depois de andar às voltas com a papelada, no fim, pedem-me para ir reconhecer a assinatura. Estranhei, pois não estavam a pedir a mais ninguém para reconhecer. A regra é: quem tem DIRE ou BI, não tem de reconhecer. Os outros têm. Ora como eu tinha DIRE e não me estava a apetecer atravessar a cidade e ir me meter num notário para reconhecer a minha assinatura, fiz barulho até me mandarem falar com o chefe. A partir daqui a cena parece uma daquelas caricaturas europeu/africano que se vêm nos filmes:

- Bom dia, dá me licença?

- Sim.

- As senhoras lá fora estão a dizer que tenho de ir reconhecer a minha assinatura, mas eu tenho DIRE.

- Mostre o DIRE. ... Ahhh. Este DIRE é especial. O problema é que este DIRE não tem o nome dos pais e assim não podemos confirmar se nos está a dar o nome correcto deles.

- Senhor, este DIRE é o que eu uso em Moçambique há mais de um ano. Foi emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros. Não reconhece a sua validade?

- Reconheço, mas não serve pois não tem nome de pais.

- E por isso vou ter de atravessar a cidade e perder mais de uma hora para ir reconhecer a minha assinatura? Reconhecer a minha assinatura confirma a identidade dos meus pais?

- zzzz... silencio

- Senhor, vamos ser razoáveis, tenho muito que fazer. Diga por favor às senhoras lá fora para andarem com o meu processo. Afinal cumpro todas as regras.

- Não, o seu DIRE não tem nome de pais.

- E reconhecer a minha assinatura ajuda em quê?

- zzzz... silêncio

- ...

É aqui a caricatura. O stressado europeu frente ao calmo africano. Sabem porque o africano está sempre calmo? Porque é ele que está a lixar a vida ao europeu. Se fosse ao contrário queria ver onde estaria a tal calma africana. Não entendo qual o prazer de dificultar a vida aos estrangeiros... se for tuga então, melhor ainda.

Já não há pachorra.

Sunday, May 06, 2007

pontos de vista

Qual é a primeira coisa que vos vem à cabeça quando pensam em África?
Só numa linha, como descreveriam o que é para vocês África?

Obrigado!

*. pensem no que vão responder antes de abrir a caixa dos comentários. para não influenciar...

Monday, April 30, 2007

será fresco?

Saturday, April 28, 2007

laurentinas!


Friday, April 27, 2007

mais vale tarde do que nunca!

Finalmente, 3 anos depois do Prof. António Guterres prometer a alguns alunos do IST a publicação de alguns trabalhos que ele considerava de muito interessantes o livro vê finalmente a luz do dia!

Deixo-vos com o link:
http://www.istpress.ist.utl.pt/lseminarios1.html

o nosso trabalho pode ser consultado em:
http://www.gsd.inesc-id.pt/~pgama/ab/Relatorio_Arq_Bioclimatica.pdf

Atentamente,

Renato Braz
co-autor
(eheheh!)

Thursday, April 26, 2007

ansiedades partilhadas

Tribal workers
Copyright The Financial Times Limited


A friend of mine recently met a young American woman who was studying on a
Rhodes Scholarship at Oxford. She already had two degrees from top US
universities, had worked as a lawyer and as a social worker in the US, and
somewhere along the way had acquired a black belt in kung fu.

Now, however, her course at Oxford was coming to an end and she was
thoroughly angst-ridden about what to do next. Her problem was no ordinary
one. She couldn't decide whether:

1. she should make a lot of money as a
corporate lawyer/management consultant
2. devote herself to charity work
helping battered wives in disadvantaged communities
3. or go to Hollywood to
work as a stunt double in kung fu films.

What most struck my friend was not the disparity of this woman's choices,
but the earnestness and bad grace with which she ruminated on them. It was
almost as though she begrudged her own talents, opportunities and freedom
-as though the world had treated her unkindly by forcing her to make such a
hard choice.

Her case is symptomatic of our times. In recent years, there has grown up a
culture of discontent among the highly educated young, something that seems
to flare up, especially, when people reach their late 20s and early 30s. It
arises not from frustration caused by lack of opportunity, as may have
been true in the past, but from an excess of possibilities.
(...)
Whereas the early to mid-20s are seen as a time to establish one's mode of living, the late 20s to early 30s are often considered a period of reappraisal.
In a society where people marry and have children young, where financial burdens accumulate early, and where job markets are inflexible, such reappraisals may not last long. But when people manage to remain free of financial or family burdens , and where the perceived opportunities for alternative careers are many, the reappraisal is likely to be angst-ridden and long lasting.

Podem continuar o texto em:
http://livrosavoltadomundo.blogs.sapo.pt/24454.html

Não é que eu me considere elite nem nada de xpto\\GTI - aliás - nem me identifiquei com a maioria dos perfis mas achei piada a deparar com este texto e reconhecer imediatamente a ansiedade de que ele fala...
olá! pelos vistos não és só minha!


Thursday, April 19, 2007

bye bye martinha...

depois de uma relação de mais de 1 ano em que sempre foi tratada como familia, desaparece sem qualquer aviso nem deixar rasto.
preocupado tento contactar a familia. uns dizem uma coisa, outros dizem outra. peço contactos (o telemóvel que lhe dei estava desligado...) dizem que hão de dar, mas nunca chegam...

ao fim de mais de duas semanas manda a seguinte mensagem de um numero sul africano:
"NEu ja quti mandei mesagem a dizer quando eu chegar a maputo vou vir entregar chave peco para quardar bem o cartao que esta dentro do telfone aque. martinha"

ligo-lhe, a perguntar o que se passou.
-"foste raptada?" "estás doente?"
nada disso...
-"vim para africa do sul com umas amigas. uma aventura"
-"mas porque é que não me avisaste? tive problemas por não saber onde andavas. se pedisses eu tinha te dado férias." (se bem que ela teve 2 meses de férias - dezembro e janeiro).
- "ahh... é uma aventura"
- "bastava teres telefonado..."
- "ahhh..."

num país com um desemprego prai de 70% (o oficial é 90%), uma mãe solteira de 28 anos perde um emprego onde ganhava mais do que o salário mínimo a trabalhar 3 vezes por semana porque resolve ir numa aventura. e o que me chateia mais nem é a aventura, isso eu entendo. o que me chateia é a falta de responsabilidade. eu estava a contar com ela no dia em que ela desapareceu, confiava nela. e agora isto...

Thursday, April 12, 2007

céu no maputo

 
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há apartheid em moçambique? há sim senhor.

Não é fácil a vida de um português em Moçambique. Parece que todos esperam que me comporte como se estivesse a dever alguma coisa a alguém... Será que os meus antepassados que por aqui andaram se portaram assim tão mal? Ou será que os moçambicanos se habituaram a este estatuto de vítimas? Se sim, por vezes roçam o ridículo nesse exercício.

Para mim, que já nasci uns sólidos anos depois da indepêndencia deste pais, para mim, que vivi desde sempre com a natural convicção de que a cor da pele diz tanto sobre uma pessoa como a cor dos olhos, é particularmente complicado.

Por vezes chego a casa no final do dia completamente desgastado e sem fé. Só me apetece fazer malas e apanhar o próximo avião. Sem olhar para trás. Depois durmo bem, acordo com o Sol e volto a ter esperança que é possível trabalhar, ajudar a desenvolver o país e crescer juntos.

Por amor de Deus pá. Se um gajo levanta um bocado a voz quando um colaborador faz asneiras consecutivas isso faz dele racista? Tudo é interpretado como mau trato, como desconfiança, como ... por favor! Há limites. Moçambique é um país onde em teoria nunca houve apartheid, mas sabem o que eu acho? Acho que há apartheid hoje. Sim. Na Republica Popular de Moçambique, no dia 12 de Abril de 2007, pleno século XXI há apartheid.

Este absurdo regime é hoje, aqui, um pouco diferente. Não foca tanto os locais de convívio, mas mais as responsabilidades e atitudes de cada um. Se é preto, pode se comportar de certa forma, se é branco já tem de se comportar de outra... porra, somos todos pessoas ou não? Mais um exemplo de apartheid: sabem qual é normalmente o primeiro requisito para uma contratação? As competências? A experiência? A formação? O carácter e ética? Não... nada disso. O primeiro requisito é ser moçambicano...

Não me venham por favor, em pleno século XXI com conversas de opressão colonialista pois eu pura e simplesmente não tenho pachorra ok? Dou 200% no trabalho, numa empresa que tem como principais objectivos valorizar a pessoa e ser a referência no desenvolvimento e bem estar de Moçambique, não tenho paciência para gastar o meu latim com estas tretas. Desculpem me os que pensam de maneira diferente, para mim, estas conversas não passam de balelas... e enquanto estamos com balelas não produzimos. Porra.

Sou pragmático. Sempre fui. Às vezes acusam me de inconveniente. Que se lixe. Antes inconveniente que hipócrita.

Não conheço as universidades em Moçambique. A minha opinião, formei-a por contacto com profissionais formados 100% no país. Uma coisa é certa... ou a minha pontaria é certeira, ou um Engenheiro Moçambicano é bem diferente de um Engenheiro formado, por exemplo na Europa (que é o caso que eu conheço).

Nas escolas públicas, os programas e professores mudam constantemente ao longo do ano lectivo, não se sabe o que se vai dar e em alguns casos não se faz ideia do que já se deu.

Isto para não falar na cretinisse que é não aceitar no país uma pessoa qualificada numa área que cá não existe. Uma pessoa que assumidamente faz muita falta e iria melhorar substancialmente a qualidade do serviço do principal hospital do país, apenas porque essa pessoa não é moçambicana. Helloooooo??? Não há Moçambicanos com aquela formação e experiência. Helllllooooooo??? Os que eventualmente existam estão na Europa ou na África do Sul e não tencionam voltar a Moçambique. Hellloooooooo!!!

Os estrangeiros que cá estão não deviam ser apedrejados, deviam ser acolhidos. A nossa presença é boa para o país. Assim como eu já aprendi bastante com Moçambique, espero que Moçambique também aproveite para aprender alguma coisa comigo. É a melhor maneira de desenvolver o país.

Não estou a mandar papaias para o ar. Estou a falar de factos. Factos. Com’on bradas!

Sunday, April 01, 2007

:-)

 
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Saturday, March 31, 2007

27...

O meu novo covil (T1) tem cerca de 30m2.
30 pessoas em 30 metros quadrados é no mínimo aconchegante...
Algumas imagens:
 

 

 

 

muito obrigado a todos pela prova de amizade... para quem não sabe, andar no meu elevador exige 1 de 3 condições:
- extremo desconhecimento das leis da fisica e da existência de um tal de sir newton;
- extrema fé em deus;
- extrema intoxicação etílica.

se puderem ser as 3 juntas, melhor!

;-)
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portugal no mundo

 

 

 


a sorte é que estava pouco vento, senão tinha umas fotos optimas da nossa bandeira hasteada ao contrario em maputo...

;-)

não vou dizer onde foi... parecia mal!
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paiol de maputo

Era um final de tarde normal. Tinha saído um pouco mais cedo do trabalho e andava com a likas nas compras.
Já há algum tempo que estava a ouvir uns barulhos estranhos.... "minding my own business" pensei que fosse trovoada.
De repente a primeira grande explosão fez com que todo o edificio onde estavamos abanasse e alguns vidros partissem... de repente todo o centro comercial debandava para a rua. Pensámos que fosse qualquer coisa no edificio onde estávamos. Demorámos largos minutos a entender o que se estava a passar... Um antigo paiol de armas estava a arder... além das potentes explosões que fizeram estragos em toda a cidade de Maputo havia ainda uma chuva de projecteis variados de artilharia a cair um pouco por todo o lado... cenário medonho...

Resultado, cerca de 500 vitimas entre as quais mais de 100 mortos.
Dias depois ainda havia 30% dos engenhos por recolher...

Medonho...
 

 

 

 


Com os explosões o caos instalou-se na cidade. De repente todos queriam ir para outros locais... as ruas entupiram completamente, os chapas (hiaces) que em portugal levam 9 pessoas e aqui normalmente levam 20 e picos, devem ter passado a levar prai 30 ou 40 pelas filas que se viam nas paragens...

No meio disto tudo, a televisão local fazia a cobertura da tragedia. Em rodapé passavam mensagens como:
"esa esplosao comeso esta atarti?" ou
"os paholes donde eque aparecem?"
"tia rosa asista TVM, xtamos a morrer no maputo... paulinha"

perolas!
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Wednesday, February 28, 2007

brutal...

http://ec.europa.eu/echo/information/library/mozambique/index_en.htm

Sunday, February 18, 2007

Samora vive

A qualidade de Moçambicano não se define pela côr. Não há minorias, há povo Moçambicano!

xiquelene

as imagens falam por si:
xiquelene

palavras para quê, é um mercado de maputo.

Publicidade! ;-)

design à la carte - www.sapoti.com

Saturday, February 17, 2007

sundowners!

 

 

o meu novo spot favorito para final de tarde em retiro é a janela do meu quarto.
tem um parapeito enorme onde dá para um gajo de sentar com uma bebida, relaxar com o pôr do sol e ainda ouvir o muesin a chamar para a oração. lindo!
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salvé aléluia!

 

uma grande praga em áfrica é a proliferação de igrejas "alternativas". o kapuscinsky faz uma descrição muito interessante deste fenómeno no ebano (leitura obrigatória!).
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Wednesday, February 14, 2007

xiiii...

1 ano em Moçambique...

:-)

jo'burg & dress code

Mais um fdsm, mais uma aventura!
Ida a Johannesburg para a festa de noivado do colega Ricardo Carvalho.

Tópicos rápidos:
- INCRIVEL riqueza;
- mercado ESTUPIDAMENTE sofisticado em sandton;
- ridicula exigência de "dress code" para entrar em todo o lado;
- vida passada 90% nos shoppings;
- rebanhos de loiras todas pintadas e cheirosas;
- vale a pena ir umas duas vezes por ano para cumprir com os rituais consumistas. mais do que isso, deus me livre;
- és branco, sais da linha -> és morto (ponto final).

Monday, February 12, 2007

Moçambique é muito à frente! Mesmo...




5-3-07... muito à frente!

Monday, February 05, 2007

aviões russos

se há algo que assombra o espírito de todo e qualquer europeu que seja minimamente instruído tecnicamente e que esteja a viver em África esse algo são os aviões russos... é mais forte do que nós.

as poucas vezes que se ouve falar desses estóicos aparelhos deixados pelos soviéticos nos tempos áureos da influência comunista aqui pelas africas é quando terminam a sua looooonga carreira com um inevitável acidente onde demonstram as leis de newton e se espetam contra o chão.

para mim, esse terror latente passou à realidade este fim de semana.
tenho de dizer que apesar da minha tensão arterial ter subido para os 18-12 no momento que os dois motores aceleram a fundo fazendo todo o aparelho tremer para descolar, o resto do voo até foi calmo.

os camaradas soviéticos eram bons engenheiros sim senhor!

fins de semana...

O vento veloz bate-me na cara acompanhado por vezes de alguns salpicos de água. Esta sensação contrasta com o calor que sinto provocado pelo impiedoso sol africano que à força tenta transformar a minha fraca pele de mulungo geneticamente pouco adaptada a estas latitudes numa espécie de tomate – pelo menos na cor...Sigo com os meus companheiros de exploração pela costa da inhaca rumo à ponta de santa maria. Objectivo: Snorkeling. De repente, reparo que lá muito ao longe, o skyline de maputo surge das águas (qual manhatan!) e apercebo-me de como é importante aproveitar os fins de semana para sair de lá. Daqui, maputo parece uma daquelas esferas com casas imersas num liquido que quando se abana simula um nevão estão a ver? Naquela esfera de homens, criada por homens e para homens, todas as forças se conjugam para nos fazer crer que nada há de mais importante que os nossos gadjets, os nossos empregos, os prazos, os objectivos... embrenhamo-nos tanto em tudo aquilo que nos esquecemos que existe um mundo fora disso... Estive um mês em maputo e já me estava a esquecer disso.
Daqui, vista a distância, por um homem que tranquilamente curte o seu fim de semana, tudo muda de dimensão a ponto de me vir à cabeça a comparação com as esferas de vidro com flocos de neve!
Vivemos tão rodeados e viciados nos nossos brinquedos e instrumentos que nos esquecemos da nossa dimensão e perdemos a nossa humildade e respeito perante o planeta. Deviam ser obrigatórias aulas de campo em educação ambiental e comunhão com a natureza... Penso que seria um bom passo para comprometer as novas gerações da importância de reduzir a nossa pegada ecológica e vários outros termos que apesar de estarem na moda, de facto são sentidos por poucos.

algumas fotos na pasta em baixo.

Arreias Mágicas!

Durante a minha ida a Beira há umas duas semanas, decidi adiar o meu voo de sexta e ficar até sábado. Assim, teria hipótese de conhecer a badalada noite desta cidade e durante o dia de sábado ainda iria conseguir chinelar um bocado pelas ruas e beber um pouco do local.
Já no final da noite, no regresso a casa, alguém se lembra que devíamos ir à praia das areias mágicas! Bem dito bem feito e cinco minutos mais tarde parávamos os carros junto a uma praia de areia branca ladeada de coqueiros de um lado e de um sereno indico do outro. Num dos extremos da praia um xarmoso farol compunha o cenário e num céu sem lua as estrelas gritavam a sua presença e tentavam competir em número com os grãos de areia da praia. Até aqui tudo normal...
O fantástico surge quando alguém exclama: “olha para o chão e arrasta os pés na areia!”
UAUUU! Minúsculas luzes cintilam por breves instantes num fenómeno que faz lembrar os organismos fluorescentes que volta e meio lá se fazem aparecer nas águas de oceanos mais quentes.
O fenómeno inspirou a conversa e ficamos um bom bocado a mexer na areia em alegre cavaqueira internacional (em 7 pessoas havia 4 nacionalidades).
Especulava o americano que o fenómeno se devia a uma grande concentração de fósforo naquelas areias (arreias em moçambicano)... alguém confere?
Químico, o que dizes?

Wednesday, January 31, 2007

Matalana

Algumas fotos de um fim de semana em Matalana – terra natal do famoso mestre Malagatana.
Estão a tentar desenvolver um projecto interessante nesta aldeia, um centro cultural com sessões de contos tradicionais, danças, etc.
Ficam as fotos.

Monday, January 29, 2007

Tendas no Deserto!

Instalámos-nos para passar a noite.
Desembarcamos cinco ou seis caixotes, colocando-os em círculo, vazios como guaritas.
e, dentro de cada um, uma vela acesa, mal protegida contra o vento.
Assim em pleno deserto, sobre a crosta nua do planeta,
num isolamento dos primeiros dias do mundo
NÓS CONSTRUIMOS UMA PEQUENA ALDEIA DE HOMENS

(...)

Contávamos as nossas recordações,
riamos e cantávamos
sentíamos a mesma alegria leve
QUE SE SENTE NUMA FESTA BEM PREPARADA...

Contudo éramos infinitamente pobres.
Vento...
Areia...
Estrelas...
UM ESTILO DURO ATÉ PARA TRAPISTAS...

Mas sobre esta toalha de areia mal iluminada,
seis ou sete homens que não possuíam mais nada no mundo alem das suas recordações...
PARTILHAVAM ENTRE SI INVISIVEIS RIQUEZAS.
(Saint Exupéry)


óoo malta! as saudades que eu tenho das nossas aventuras pelo deserto...
um grande abraço aqui do hemisfério sul. Se forem à Libia, têm de prometer (sob pacto de sangue) que voltam lá comigo quando eu voltar para PT.

Monday, January 15, 2007

o imortal...

Quero aqui anunciar que vivo hoje um dia muito triste... fiz algo que nenhum homem devia ter de fazer...

vendi o meu imortal...

foram várias as aventuras e apesar de ter passado algumas horas a dar lhe mimos, nunca me deixou mal. NUNCA!

Imortal, se me ouves perdoa-me! Estamos juntos! Que sejas muito feliz nas mãos do teu novo dono criador de gado em Marracuene e que ele te dê finalmente a vida calma que mereces. Paz!

De Moçambique à contracosta... & back!!!

Finalmente algumas fotos da mega viagem pela Africa do Sul, Zimbabwe, Zambia, Namibia e Botswana! O relato há de vir a seu tempo.

É só picar em cima da foto e depois -> "slideshow"

Saturday, December 30, 2006

turismo responsável

Certo dia, estava a contar as aventuras de uma viagem que tinha feito ao longínquo Nordkapp quando a minha ouvinte/interlocutora, respeitável representante de uma geração mais antiga, exclama, “esta geração sente uma enorme nostalgia de aventura”.
Na altura, pouco liguei a esta afirmação, mas, efectivamente, a maioria de nós vive em razoável equilíbrio, com as necessidades básicas asseguradas. A sociedade impõe-nos um pacote de preconceitos e oferece-nos uma estrutura social escrupulosamente organizada, o que não nos dá grande margem para voos aventureiros ou actos heróicos. De facto, longe da luta pela sobrevivência dos nossos ancestrais antepassados e das lutas políticas e estudantis dos anos 70, temos de procurar outras aventuras, outras formas de conseguir a viciante e amada adrenalina!
Para uns, são os desportos radicais, para outros, as motos, os carros, a pesca, a noite, a dança, e para outros, pasmem-se,... o trabalho.
Quanto a mim, o que me desafia e dá adrenalina (daquela tipo long drink e não em shot) são as viagens. Mas viajar não é, para mim, atravessar o mundo e ir enterrar a cabeça na areia de uma qualquer estância “exótica” de luxo. Viajar, como apreciar um bom tinto, implica escolher, cheirar, beber, saborear, deixar que se difunda em nós e, por fim, assimilar o que interessa e eliminar o que não. Novamente, como um bom vinho viajar por vezes sabe bem só porque sim. Mas na maioria dos casos, deve ser tido como complemento de algo.
De facto, sempre que fui de férias só por ir de férias, não consegui a completa catarse do cansaço e dos problemas do ano. Por isso, durante o ano procuro desenvolver um projecto a executar (/desenvolver) nas férias. Normalmente, em conjunto com um grupo de amigos, escolhemos/ traçamos um objectivo, estudamos a sua viabilidade e, depois, deliciamo-nos com os preparativos. Os desafios são tantos que, durante o mês das férias, nem muito ao longe me passam pela cabeça os problemas do trabalho, da família ou da universidade.

Claro que também me sabe bem o dolce faire niente, mas para isso não é preciso ir para o outro lado do mundo. Acreditem! Em Portugal, somos muito bons nessa arte. Basta um fim-de-semana sem stress, junto ao mar, com um bom livro e... já está!

Já para férias “a sério”, ajudar a restaurar templos budistas na Mongólia, contribuir para a preservação de uma barreira de recife, ou atravessar o Sahara numa complicada missão logística para entregar medicamentos no Senegal são interessantes exemplos de actividades que se podem desenvolver.

Com base na minha (ainda) curta experiência, descobri que vivemos muito de estereótipos, de preconceitos e de mitos impostos pela comunicação social. O mais assustador é que, apesar de cada vez viajarmos mais, pouco aprendemos sobre os locais para onde vamos. Limitamo-nos – como dizia Miguel de Sousa Tavares – aos programas de alegria programada e de felicidade comprada a prestações onde só vemos/conhecemos o que nos querem “vender” e, no fundo, não aprendemos nada sobre as comunidades locais, a sua cultura, os seus problemas… até a economia local é pouco estimulada, pois o grosso dos lucros vai para as estâncias de luxo de grandes grupos financeiros.

A alternativa, baptizada por outros povos – talvez mais conscientes – de turismo responsável, baseia-se em oferecer algum do nosso tempo e talentos, contribuindo para o desenvolvimento de um projecto social, cultural ou ecológico num país com poucos recursos. Esta abordagem é também muito enriquecedora para o turista que, desta forma, ingressa efectivamente numa comunidade, apre(e)nde o lugar, a sua cultura e suas gentes.
Estas experiências mudam o modo como vemos o mundo e levam, por vezes, a importantes descobertas sobre nós próprios. O que experimentamos e aprendemos fica totalmente imiscuído/imbuído em nós, influenciando o modo como vivemos, pensamos, sentimos... e em sentido mais lato, alterando a nossa filosofia de vida.

Se muitas pessoas entenderem esta visão, os resultados poderão ser assinaláveis. (OU: Quanto mais pessoas interiorizarem o verdadeiro significado da palavra ‘viajar’, mais assinaláveis poderão ser os resultados das viagens…)
Os interessados poderão utilizar o potencial da Internet para procurar mais sobre o assunto.

Sunday, December 10, 2006

kanimambo ICEP, kanimanbo UE, kanimanbo moçambique, kanimambo...

O contacto é a melhor coisa que pode acontecer ao típico recém licenciado português. (ponto final paragrafo)

Tudo o que é bom tem um fim... agora, um mês de viagem, natal em casa e às primeiras horas de Janeiro embarco novamente moçambique para um novo desafio!

ACABOU O CONTACTO, PAZ!

Thursday, November 09, 2006

the life!

sair do trabalho - depois de aturar mais do que queria e do que devia - ir a um prédio recôndito, passar uma porta e saltar de áfrica para a ásia!
num passo estou na china! chineses a falar inglês com aquele sotaque no mínimo cómico, TV num canal chinês, revistas chinesas, etc. tudo gritava >>>CHINA!<<<, desde os dragões ao cheiro a bálsamos! depois, deitar numa cama rija e levar uma massagem de corpo inteiro durante uma hora!
boooooooommmmmmmmmm!
cereja no topo do bolo: a runga, massagista, ainda me leu a sina e diz que vou ter uma vida longa, prospera, com muito sucesso no trabalho e no amor! um luxo!

é um bocado coisa de yuppie, mas lá que soube muito bem, isso é um facto!
a vida em maputo tem momentos lindos...

Wednesday, November 08, 2006

adeus ò vai-têmbora!

Entre as 18 e as 24 horas do dia 8 de Novembro da graça de 2006 alguns amigos passaram pelo Piri Piri para desejar à minha pessoa, ao Imortal e ao Sr. Meu Pai uma mega viagem até à Namibia (& back)! Muito obrigado a todos! Bem hajam!
Aqui fica o resumo:

68 laurentinas
10 pregos no pão
7 cafés expresso
6 pratos de tremoços
1 sandes de queijo
2 moelas
1 sprite
1 pãozinho
2 rissois
2 pregos no prato
1 tosta mista
1 omolete de camarão
1 tosta de galinha
1 sandes de carne assada

=)

nota: claro que não vou viajar já. Só no final do estágio. Esta despedida simbólica foi agora porque há muita gente a debandar de Maputo e uma despedida sem ninguem não tinha piada nenhuma...

Monday, November 06, 2006

África minha!

que maravilha de filme...

como é que eu ando com áfrica na cabeça e mephaquin no sangue à tantos anos (bom, não são assim tantos, mas alguns...) e nunca tinha visto este filme?

Sunday, November 05, 2006

imagens soltas






 
 
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Friday, November 03, 2006

dancing for sweeties - por: elisa santos


Do barco à praia há uma estrada. Percorre-se uma língua de areia e pântano que separa o rio do mar e que nos há-de mostrar o Índico, orlado de areia fina e casuarinas

A estrada é má, muito má!
A estrada tem buracos fundos, crateras, que em tempo seco se tornam ultrapassáveis, mas que ao primeiro sinal de chuva se tornam tão pantanosos como os campos que ladeiam a estrada.

Mais à frente a estrada é de areia. Areia fofa, onde se enterram os pneus e de onde só tractores e carros potentes, de tracção às quatro rodas, manejados por condutores experientes, conseguem sair.

A estrada má esconde pequenos caminhos que levam a aldeias de gente que não tem carro e que calcorreia a vida e a estrada a pé. Gente negra, de pele curtida pelo sol, de olhar empoeirado pela areia, pelo sal, pelo sol e pela pobreza, coisas próprias do sítio onde vive.

Na estrada má apenas se distingue uma construção que deixa ler, de forma baça, o nome de uma loja. Desfeita por muitos dias, indefinida entre a ruína e a ainda existência é coerente também na sua função. É uma loja, indefinida entre a ruína e a ainda existência, que serve a gente que mora nas aldeias escondidas.

A estrada má não tem vergonha.

Tem muito trânsito ao fim de semana. Carros bonitos, potentes, de marcas conhecidas, cheios de gente feliz que se arrisca na aventura da lama e da areia para expor o corpo ao sol e ao mar. Nos carros viajam pessoas claras, brancas de pele e de cuidado, com os olhos brilhantes de excitação, de desejo de mais paisagens e de fartura, coisas próprias do sítio onde vivem.

Os negros que moram nas aldeias escondidas da estrada má e as pessoas claras que viajam de carro, têm uma enorme cumplicidade e vivem o equilíbrio de um ecossistema.

Os negros pedem boleia, e se lhes recusam eles equilibram-se, à revelia e de forma camuflada, na traseira dos carros bonitos, potentes, de marcas conhecidas.

As pessoas claras enchem-se do fascínio da existência dos negros e assim apanham boleia nas vidas deles para se sentirem a viver na rudeza e na agressividade do meio.

A estrada má não tem vergonha.

Exibe um espectáculo, de nome internacional, especialmente preparado, e que sustenta o equilibrado ecossistema das dunas e pântanos.

Dancing for sweeties começa logo depois dos primeiros metros de aventura, a seguir aos primeiros buracos profundos. Na beira da estrada espalham-se, ora à esquerda, ora à direita, grupos de ágeis bailarinos, mínimos de idade e de corpo, que fazem movimentos ondulantes, africanos, tribais. Não tem o espectáculo outra música que não seja a do motor dos carros bonitos, potentes, de marcas conhecidas; o ritmo é secreto, só percebido pelos bailarinos, que com os pés vão levantando a poeira que lhes caracteriza o olhar, o corpo e as roupas encardidas e desfeitas. Mas tem letra! Simples e facilmente inteligível: “sweeties, sweeties…”

O espectáculo desenrola-se depois com uma corrida dos bailarinos ao lado dos carros, gritando a letra, e com a participação das pessoas claras, brancas de pele e de cuidado, com os olhos brilhantes de excitação, que vão atirando doces e bolachas pelas janelas dos carros bonitos, potentes, de marcas conhecidas.

Na estrada má, que não tem vergonha, de vez em quando surgem outros artistas que tentam a sua sorte, uma espécie de espécie menor que tenta sobreviver no ecossistema.

São artistas mais velhos, de carreira já terminada, cujo número é tapar as crateras da estrada com pedaços de lama, e por tal pedem sweeties, other sweeties . Ou outros ainda, que fazem lembrar atracções de circo decadente, que expõem mazelas na esperança de que os aplausos surjam em forma de quaisquer sweeties.

Quando a estrada má termina na praia, estacionam-se os carros bonitos, potentes, de marcas conhecidas, e a gente feliz ocupa a praia. Os negros já não dançam, a reprise será mais tarde na hora de regresso a casa, pela estrada má.

Eu, que viajo num carro bonito, potente, de marca conhecida, acompanhada por pessoas brancas e de pele clara, pressinto o sabor amargo que nos invade a boca e nos raspa a língua. Os olhos que seguem ao meu lado cravam-se nos meus e respondo-lhe:
“I hate dancing!
I hate sweeties!”

às cambalhotas numa roleta russa...

Porque é que nós temos a maldição do poder de decisão?

Não era tudo muito mais fácil se nos limitassemos a seguir o que aparece, instintivamente e sem pensar?
Não... as nossas mentes são estimuladas desde pequeniiiiiinas para analisar tudo, ver vantagens e inconvenientes, pesar e ponderar, custo/beneficio, buscar sempre o melhor, pensar por nós, pensar pelos outros, pensar pelo mundo... arrrgggghhhhhh...

Batalhamos, conseguimos, ganhamos, perdemos, irritamo-nos, superamos, afundamos, triunfamos.
Mas e se “x”? Então “y” , mas depois, como é, ou não é? E se, se, se ...

Sortudos dos que têm a vida clara à frente dos olhos!

Sunday, October 29, 2006

a voz das ruas

carregar em play, ligar o som e esperar!

Monday, October 23, 2006

Tubarão-Baleia

Saberão os entendidos, que uma das melhores coisas que se pode fazer em Moçambique é mergulho.

Dentro do mergulho, uma das mecas é o Tofo onde se pode ver o famoso Tubarão-Baleia, o maior peixe do mundo.
9 horas de Machibombo a aturar pessoal a verter águas para latas e a levar banhos de espinhas de peixe (longa história...) valeram a pena!

Mergulhei com os famosos tubarão-baleia, mantas (liiindas também), tartarugas gigantes, etc. UM LUXO!

Fotos e texto da net:

The whale shark is a the biggest shark and the biggest fish. It is NOT a whale. It has a huge mouth which can be up to 4 feet (1.4 m) wide. Its mouth is at the very front of its head (not on the underside of the head like in most sharks). It has a wide, flat head, a rounded snout, small eyes, 5 very large gill slits, 2 dorsal fins (on its back) and 2 pectoral fins (on its sides). The spiracle (a vestigial first gill slit used for breathing when the shark is resting on the sea floor) is located just behind the shark's eye. Its tail has a top fin much larger than the lower fin.
The whale shark has distinctive light-yellow markings (random stripes and dots) on its very thick dark gray skin. Its skin is up to 4 inches (10 cm) thick. There are three prominent ridges running along each side of the shark's body.
This enormous shark is a filter feeder and sieves enormous amounts of plankton to eat through its gills as it swims.

The whale shark is up to 46 feet (14 m), weighing up to 15 tons. The average size is 25 feet (7.6 m) long It is the largest fish in the world. Females are larger than males (like most sharks).

Thursday, October 19, 2006

pérolas de moçambique

há muuuuitas! infelizmente não costuma haver é máquina à mão...

 

Lindo não é? Posted by Picasa

Monday, October 16, 2006

tou apaixonado!

Estou apaixonado…

… por uma japonesa de 13 anos!

Já nos conhecíamos e até já tínhamos dado umas voltas, mas foi este indescritível fim-de-semana, que ditou a sentença. Apaixonado!
Pelo comportamento dela penso que foi mútuo!

Depois de umas horas de Google Earth fomos os dois explorar in loco a região da Ponta do Ouro, Ponta Mamoli, Malongane e a região de Kosi Bay, já em plena Zululand na África do Sul.
Trilhos de areia solta, junto a lagos com hipopótamos e crocodilos, planícies de cortar a respiração com impalas a pular ao nosso lado e macacos a correr pelas bermas. Baías liiiiindas com lodges remotos, desconhecidos do turismo de massas e perfeitos para uns dias de relax.

OBRIGADO SR. GEBUZA*, OBRIGADO SR. HONDA** E MAIS UMA VEZ OBRIGADO SR. DAVID, MEU SÓCIO***!

* Por manter aquela região estrategicamente inacessível através de estradas péssimas para automóveis.
** Por idealizar e desenvolver tão perfeita máquina de prazer.
*** Por me disponibilizar a moto!

Segue-se sessão fotográfica!

 
cá está ela, no aperto do batelão para catembe

 
a entrada no batelão é sempre uma aventura! aqui o chefe, coordena a sessão de manobra em peso para encaixar o carro nos centimetros quadrados livres!

 
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Abby e Kovu, os meus anfitriões de 14 e 2 anos respectivamente no maior lago da região de Kosi Bay. Reza a lenda e comprovam as pegadas que os lagos (salgados) têm hipopotamos, crocs e também tubarões. Não é de estranhar assim que seja interdita qualquer actividade proximo da água (excepto quando protegidos pelo Kovu).
o Ray, a Viv e a filha Abby exploram um BB na região. Andava perdido e fui ter ao quintal deles. Foram 100%! Explicaram me tudo sobre a região, etc.
Passo a publicidade: http://www.kosibay.za.net/index.html






Wednesday, October 11, 2006

allahhhh akbar!

Aos que estão em países muçulmanos ou de forte prevalência:

Nos "vossos" países as lojas também estão enfeitadas com motivos ramadanescos e as montras com enormes e coloridos "HAPPY RAMADAN" ou é só em Moçambique?

Acho lindo!

Tuesday, October 10, 2006

érénatinho!

Eis senão quando o incrivel sucede!
Ao fim de 8 meses, deixo uma pegada em África... um Renatinho!

...

...

...

Lá estão as vossas mentes a divagar...

Nada disso. Um colega meu aqui do job, decidiu dar o meu nome ao seu segundo filho!
Fiquei um pouco espantado pois "Renato" é um nome tudo menos comum em Moçambique mas, o Zé parecia bem determinado!

Muitos parabéns, um grande abraço e muitas felicidades para um Moçambicano que só pode vir a ser boa gente com tão belo nome...

;-)

Wednesday, October 04, 2006

MAPUTO BY NIGHT - II


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Saturday, September 30, 2006

Não tentem isto em casa!

Sexta-feira, 11horas da manhã. Surge ao fim de vários meses uma oportunidade de ir a Djabula conhecer o trabalho de desenvolvimento da Fred e Carlota (recém baptizada de fadinha do mato!).
Problema: a amiga e ex-contacto Filipa Simões fazia anos e a noite de sexta prometia… Saída para Djabula, 6 da matina! Djabula? Noitada? Djabula? Noitada? Hummm… ambas! Risco mais uma noite da cama! Durmo depois quando me reformar… Parece fácil de dizer, mas confesso que enquanto preparava a mochila olhei varias vezes para a cama…

Por essa hora das 6 lá estava eu à porta do prédio com uma mochila com água e bolachas às costas, o saco cama numa mão e uma almofada do sofá da sala na outra! Afinal a viagem ia ser na chapa da nissan pick up 4x4 da V.I.D.A.
A primeira hora de viagem, em alcatrão, ainda consegui passar pelas brasas, mas assim que saímos para a picada, os saltos metem-me logo em sentido para mais 2 horas de caminho com várias paragens. Sim, a carrinha, perfeitamente normal no asfalto, assim que entra na terra transforma-se imediatamente em chapa (transporte público) apanhando todos os que viajam no nosso sentido! No momento mais alto, iam perto de 20 almas na carrinha e quase igual número de catanas! É uma questão de defesa – asseguram – e até crianças têm as suas…
O motivo da viagem é acompanhar um especialista em sementeiras ao local onde querem desenvolver uns projectos de desenvolvimento da agricultura (de subsistência) para que a produtividade possa ser maior e assim aumentar os índices de nutrição dos camponeses (estou a falar bem Fred?). Fala-se de espécies melhoradas de feijão nhemba, de mandioca, de amendoim, de milho. Fala-se também de métodos de combate a pragas, da problemática da água (falta dela), da trajectória do sol, de adubos, etc. terminando naturalmente a falar em agricultura biológica. Interessante!
Aproveito para conhecer também o resto do centro, onde a V.I.D.A. desenvolve machambas, um centro de formação, um fundo de fomento com 130 cabeças de gado bovino, um pequeno aviário que luta contra o persistente prejuízo, as futuras instalações de uma “fabrica” de papel feito com fibra de cato, um secador solar para frutas, etc. Ficou por conhecer a escolinha “da” Carlota, mas infelizmente, o meu tempo – ao contrário do de Einstein – não estica.
Espanta-me que o centro esteja construído num local tão remoto, árido e de pobres solos. Um projecto já de si difícil, assim assume dimensões de milagre, mas ao que parece foi o único local onde há uns anos as comunidades locais – desconfiadas que viessem colonizar outra vez – deixaram instalar esta ONG. Agora todos ao redor reclamam direito ao apoio que providenciam…
Vejo também pessoas que andam maratonas todos os dias para ir buscar água, pois onde vivem esta não existe. Naturalmente pergunto: “porque não mudam as palhotas para perto da água e poupam um enorme esforço diário?” não o fazem, porque é ali que estão enterrados os seus antepassados! Grande é para estes lados a força e o respeito pelos antepassados!
Já no regresso, depois de um belo almoço de massa e ovos autóctones a Fred lembra se de comprar 3 sacos de 50kg de carvão… bom, não vos passa o estado em que eu cheguei a casa! PRETO! A poeira do carvão levantada com o vento e pimba… cara, braços e pulmões com ela. Ainda estou a cuspir preto…

Friday, September 29, 2006

efectivamente...


... sou um sortudo (ponto final).

pôr do sol com mamãe no kruger!

super avós!

o meu avô a descobrir depois dos 70 que passou ao lado de uma brilhante carreira como cineasta!

mãe mena a beber inspiração africana para as suas bem sucedidas cerâmicas e fusings!

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Thursday, September 28, 2006

Maputo, essa bela localidade!

Thursday, September 21, 2006

...

instantâneo de felicidade...

Tuesday, September 12, 2006

Imaginem só...

Imaginem que trabalham de sol a sol muitas vezes sem condições.
Imaginem que até se esforçam e até trabalham bem.
Imaginem que sonham há anos com um aumento que nunca chega.

Imaginem agora que o vosso boss, ganha por dia, o dobro do que vocês ganham por mês.
Imaginem que têm de sobreviver com um salário que não dá hipoteses de uma pessoa se endireitar ou levantar uma familia com o mínimo de dignidade.
Imaginem que para todos os lados que olhem vêm sinais de prosperidade de outros – na maioria dos casos, apenas porque nasceram noutros países, tiveram outras oportunidades ou pura e simplesmente não têm escrupulos.
Imaginem tudo isto a fervilhar em milhões de cabeças mais activistas...


E agora, agradeçam a todos os santos a milagrosa paz que existe em Moçambique e tantos outros países classificados de “em vias de desenvolvimento”...

Dir-me-hão que a mão de obra não é qualificada, que se só fazem merda não podem ganhar mais. Muitas (demais) vezes é verdade, mas nem sempre.
Dir-me-hão que os endémicos problemas com roubos assim o obrigam, etc. etc. etc. Tudo problemas reais. Facto.

Penso que tudo poderia melhorar de um modo gradual e sustentável caso existisse por parte dos empresários o hábito (que sinceramente ainda não vi) de REALMENTE recompensar os funcionários bons. Assim, os bons poderiam ter hipoteses de melhorar as condições de vida (o que por incrivel que pareça a quem lê isto na Europa, aqui raramente acontece), poderiam oferecer condições de estudo aos filhos, etc. (a partir daqui - bola de neve...). Os outros, calões, espertinhos, enguias, teriam exemplos a seguir. Actualmente, quer sejas bom ou mau, a miséria é a mesma. E não me venham com o discurso: “Esse gajo é bom! Mas também já ganha 8 milhões...” como se fosse muito... estamos a falar de 240 euros... Não é preciso ter uma mente muito ruím, para chegar à conclusão que assim o esforço não vale a pena...

É fácil, muito fácil irritarmo-nos (mesmo que como eu, tenham uma postura de madre teresa de calcutá) com os Moçambicanos. Muitos têm efectivamente uma mentalidade de merda. Será que não temos cota de culpa no desenvolvimento desta mentalidade?
Já pensaram que em pouco mais de 30 anos este país passou de colonia ultramarina, em que todos os cargos superiores eram de tugas ao regime democrático, passando pelo comunisto e por duas guerras? Isto tem de deixar marcas... e aqui elas são visiveis a todo o momento.
Tenhamos ou não cota na responsabilidade, os Moçambicanos (Selma, estou a falar da generalidade. Não da elite.) têm de deixar de arranjar desculpas, mudar a mentalidade e começar a trabalhar com corpo e cabeça, senão, a nova vaga de “colonização” chinesa e sul africana vai mesmo ser imparável e este jovem país, dito democrático e independente nunca o vai realmente ser. Uma pena...

Monday, September 11, 2006

lá pros lados de pemba...





... 4 dos big five passaram 5 memoráveis dias de mini férias! pemba, pangane, ibo e guludo!

alguns dos pontos altos foram a loucura da viagem em alto mar numa piroga contratada no meio de um mangal para nos levar ao Ibo, ter de apanhar 18 côcos para beber a sua água, pois o fascínio de estarmos isolados numa praia que figura no top 10 das melhores praias selvagens do mundo nos fez esquecer que as nossas reservas estavam em baixo e naturalmente não há onde comprar luso nas redondezas, ficar sem gasóleo, ter um furo e stressar com os atrasados mentais dos policias moçambicanos na corrida de regresso ao aeroporto, etc.

a cereja no topo do bolo foi termos passado estes dias a viajar com 2 novos amigos fantásticos que conhecemos no dia da chegada a pemba! mochileiros daqueles de meses a fio sem rumo bem traçado... um espanhol/belga/marroquino/brasileiro/... e um catalão que só fala castelhano! ambos loucos e excelentes companheiros de aventuras!

algumas fotos:



Posted by Picasa mais um monte de fotos assim que tenha tempo...

Saturday, September 02, 2006

Mais bicharada!

Mais uma ida ao Kruger! Ficam as fotos da bicharada.

zebra a testar os travões!

tão queridos! estão é a vir na nossa direcção... cava!

quem diria que são o animal que mais mata em África a seguir ao mosquito?

havia alguns bichos muito feios, peludos e mal cheirosos!


O Imortal, sempre em grande forma


leopardo a curtir um belo repasto de impala...

Bernardo, Paula e Tobé

A minha campanha de desinformação sobre a boa vida em moçambique está a começar a dar frutos! É tudo esquema para me trazerem prendas e bacalhau!
Julgavam que vinham para cá comer marisco, beber laurentinas, cavalgar na savana ao pôr-do-sol, curtir belas praias desertas, passear de Land Rover, fotografar leopardos, elefantes, girafas, zebras, hipos, rinos e afins?
Eh! Eh! Eh!

Bernardo:

Paula:


Tobé (Bisneto do João Albasine, esse grande visionário portuga que estabeleceu o primeiro entreposto comercial entre o povo autóctone e os colonos na região onde é agora o Kruger National Park! Mesmo alegando veemente este facto, não o deixaram passar nos portões do parque sem pagar) :

Já conhecedores de outras latitudes africanas, aposto que ficaram loucos apaixonados por esta!

Muito obrigado pela visita. Já que o ICEP não deixa ir a casa, é sempre óptimo receber cá um bocadinho de Portugal!

Thursday, August 31, 2006

Bom augúrio!

No forum de http://www.maputo.co.mz/

O escritor moçambicano, MIA COUTO também licenciado em Medicina e Biologia, fez uma oração de sapiência, em 7 de Março, na abertura do ano lectivo do Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique. Excertos desta oração foram publicados no Courrier Internacional, nº. 0, de 2 de Abril. Gostaria de destacar, Os Sete Sapatos Sujos: "Não podemos entrar na modernidade com o actual fardo de preconceitos. À porta da modernidade precisamos de nos descalçar. Eu contei Sete Sapatos Sujos que necessitamos deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher e sete é um número mágico:
Primeiro Sapato - A ideia de que os culpados são sempre os outros;
Segundo Sapato - A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho;
Terceiro Sapato - O preconceito de que quem critica é um inimigo;
Quarto Sapato - A ideia de que mudar as palavras muda a realidade;
Quinto Sapato - A vergonha de ser pobre e o culto das aparências;
Sexto Sapato - A passividade perante a injustiça;
Sétimo Sapato - A ideia de que, para sermos modernos, temos de imitar os outros."

O primeiro sapato: A ideia que os culpados são sempre os outros e nós somos sempre vítimas. Nós já conhecemos este discurso. A culpa já foi da guerra, do colonialismo, do imperialismo, do apartheid, enfim, de tudo e de todos. Menos nossa. É verdade que os outros tiveram a sua dose de culpa no nosso sofrimento. Mas parte da responsabilidade sempre morou dentro de casa. Estamos sendo vítimas de um longo processo de desresponsabilização.
Esta lavagem de mãos tem sido estimulada por algumas elites africanas que querem permanecer na impunidade. Os culpados estão à partida encontrados: são os outros, os da outra etnia, os da outra raça, os da outra geografia.
Há um tempo atrás fui sacudido por um livro intitulado Capitalist Nigger: The Road to Success de um nigeriano chamado Chika A. Onyeani. Reproduzi num jornal nosso um texto desse economista que é um apelo veemente para que os africanos renovem o olhar que mantém sobre si mesmos. Permitam-me que leia aqui um excerto dessa carta.

Caros irmãos: Estou completamente cansado de pessoas que só pensam numa coisa: queixar-se e lamentar-se num ritual em que nos fabricamos mentalmente como vítimas. Choramos e lamentamos, lamentamos e choramos. Queixamo-nos até à náusea sobre o que os outros nos fizeram e continuam a fazer. E pensamos que o mundo nos deve qualquer coisa. Lamento dizer-vos que isto não passa de uma ilusão. Ninguém nos deve nada. Ninguém está disposto a abdicar daquilo que tem, com a justificação que nós também queremos o mesmo. Se quisermos algo temos que o saber conquistar. Não podemos continuar a mendigar, meus irmãos e minhas irmãs.
40 anos depois da Independência continuamos a culpar os patrões coloniais por tudo o que acontece na África dos nossos dias. Os nossos dirigentes nem sempre são suficientemente honestos para aceitar a sua responsabilidade na pobreza dos nossos povos. Acusamos os europeus de roubar e pilhar os recursos naturais de África. Mas eu pergunto-vos: digam-me, quem está a convidar os europeus para assim procederem, não somos nós? (fim da citação)

Queremos que outros nos olhem com dignidade e sem paternalismo. Mas ao mesmo tempo continuamos olhando para nós mesmos com benevolência complacente: Somos peritos na criação do discurso desculpabilizante. E dizemos:
- Que alguém rouba porque, coitado, é pobre (esquecendo que há milhares de outros pobres que não roubam);
- Que o funcionário ou o polícia são corruptos porque, coitados, tem um salário insuficiente (esquecendo que ninguém, neste mundo, tem salário suficiente);
- Que o político abusou do poder porque, coitado, na tal África profunda, essas práticas são antropologicamente legitimas...

A desresponsabilização é um dos estigmas mais graves que pesa sobre nós, africanos de Norte a Sul. Há os que dizem que se trata de uma herança da escravatura, desse tempo em que não se era dono de si mesmo. O patrão, muitas vezes longínquo e invisível, era responsável pelo nosso destino. Ou pela ausência de destino. Hoje, nem sequer simbolicamente, matamos o antigo patrão. Uma das formas de tratamento que mais rapidamente emergiu de há uns dez anos para cá foi a palavra “patrão”. Foi como se nunca tivesse realmente morrido, como se espreitasse uma oportunidade histórica para se relançar no nosso quotidiano. Pode-se culpar alguém desse ressurgimento? Não. Mas nós estamos criando uma sociedade que produz desigualdades e que reproduz relações de poder que acreditávamos estarem já enterradas.
PARA OS OUTROS SAPATOS, VER O FORUM MAPUTO.CO.MZ

Wednesday, August 23, 2006

Moçambique, a outra face…

Pois é meus amigos e amigas tirando os óculos de fascínio da novidade, saltam-me agora à vista algumas características menos positivas de boa parte dos moçambicanos. A saber:

- Não têm uma ponta de civismo;

- Uma vez bem na vida, tratam mal os que estão abaixo;

- São racistas;

- Estão sempre prontos – por mais alto que seja o seu nível na sociedade – para chular o próximo, principalmente se for branco;

- Etc…

Com uns olhos, Moçambique é uma curte, com outros é uma merda.

Tenho saudades de ser só mais um nas ruas, nos bares, no trabalho… aqui és sempre o branco, o boss, o “doutor”, o rico… e isso cansa…

Moçambicanos, moçambicanos...

Como normal, os piores são os políticos... SÓ têm ideias de merda... agora lembraram-se de proibir que médicos estrangeiros dêm consultas... é de loucos pois estamos num país que tem pouquissimos médicos... só um exemplo.

Ás vezes dá vontade de retirar toda a ajuda internacional para ver como se safavam depois... o problema é quem ia sofrer era como sempre o povo...

Moçambique, moçambique...

Monday, August 21, 2006

>>>MANITO!<<<


Durante o último mês tive cá a visita do meu manito!
Foi muito bom! Pena não ter tido férias para ir com ele na mega viagem de machibombo pelo país...

Até já miudo!

Monday, August 07, 2006

Ti'Campos!!!

Depois de um belo jantar oferecido pelos amigos fred, filipa, carla e nuno (tb contactos@moz) e de uma noite linda que meteu anões, finlandesas anoréxicas, xanatos cor de rosa e violinistas insanos, eu e o outro survivor – o meu amigo miguel AKA fumassa lá relaxamos no nautilus para tomar o pequeno almoço (o facto de não termos dinheiropara pagar é um pormenor secundário...). Só há tempo para ir a casa fazer a mala, tomar um duche e arrancar com o Imortal rumo à quinta do ti'campos onde tínhamos combinado ir passar o fim de semana sob pretexto de uma caçada nocturna. Entre missões exploratórias aos 1200 hectares de savana e mangal nas margens e foz do rio Maputo, futeboladas, voltas de moto, amasso de pão, belos repastos e um pôr do sol lindo junto à toca de uma enorme jibóia que aparentemente é uma bem disposta lá chegou a noite e a esperada caçada. Confesso que dispensava a parte dos tiros, mas ok... 2 horas às voltas de 4x4 pela savana com focos e espingardas xpto resultaram no padecimento de 2 lebres... à catanada... mas não sem antes o Batar e o Rui fazerem as rezas muçulmanas. Menos mal…
O domingo prosseguiu com os mimos do ti'campos até que pelas 15horas telefona a ana dos medicos del mundo que também tinha ido para aqueles lados passar o fim de semana com o marido. Carro avariado (mitsubixo...)!
Por acaso tinha comentado na sexta que ia estar por perto... Suerte!
Lá arrancámos cheios de moral com uma corda para rebocar nuestros hermanos. Afinal não estão tão perto como julgamos mas lá chegamos.

Devido a uma falha grave de concepção, tinham o filtro de óleo furado... reunida uma trupe de engenheiros lá tentamos remendar o filtro com o seguinte material à disposição:
um preservativo, cartão, super-cola3, fita americana e uma tira de borracha de câmara de ar. Lindo! Enquanto eu disserto sobre o valor da pressão que o óleo deve ter naquele ponto lá se monta o filtro. Todos a fazer figas! A ana dá 'start' e... FUNCIONA! O fantástico remendo africano consegue aguentar! O único problema é que só aguentou uns... 5 segundos...

"mierda..." "puta madre... lá mierda del coche..." Teve de ser reboque mesmo! A viagem decorreu sem grandes histórias (fora a corda volta e meia partir) e 5 horas mais tarde estávamos de volta ao refugio do ti'campos.
Queres aventura? Toma lá!

OBRIGADO DAVID!!!

Imaginem que amam andar de moto.
Imaginem que durante 10 anos andam de moto praticamente todos os dias.
Imaginem que já fizeram km suficientes para dar mais de três voltas ao planeta Terra e mesmo assim continuam a querer mais.
E agora imaginem que de repente... pufff... estão 6 meses em jejum...
Um homem não é de ferro, estava a começar a bater mal...

Thursday, August 03, 2006

jorge!

Mais uma lição... a partir de agora, sempre que vá para um novo emprego ou para um novo país (excepto italia ou brasil) vou utilizar o meu segundo nome, a saber: jorge.

Estou cansado de ter de dizer mil vezes o meu nome e mesmo assim raramente atinarem com ele... arnato, reinaldo, ..., ...
Cá em moçambique o problema é que eles nunca usam o 'R' carregado, ou seja, ficam loucos quando digo RRRenato. O melhor que consiguem é erénato... já não é mau...

Monday, July 31, 2006

BALEIAS!!!

Este fim de semana fomos todos para o Bilene! O amigo JP fazia anos e a somar a isso era o último fim de semana do lodge (aquele fantástico do lado de lá da lagoa) sob gestão do grupo girasol. O amigo e por acaso também director do grupo fez nos o apelo... "caros, é preciso acabar com os stocks..." a partir daí... soltem a imaginação!
A cereja no topo do bolo (além do estado de graça - leia-se álcool - em que estava o capitão botte na noite de sábado) foi chegar à praia no domingo de manhã e ter duas baleias a passear pelo Índico mesmo à nossa frente! Lindo!

foto sacada da net pq tinha deixado a máquina do quarto e alem disso nunca teria objectiva para chegar tão perto...

Wednesday, July 26, 2006

o charme...

vão ter de me perdoar, mas agora durante uns tempos o meu imortal vai dominar as fotos no blog... digam lá, tem um charme máximo não tem?
lembrem-se que estamos a falar de tecnologia dos anos 60/70...


um verdadeiro icone africano!

novo job!

depois de vários filmes, estou há duas semanas no novo job!
o trabalho é motivante, a área interessa-me e as pessoas são boas! tasse bem!


na foto vê-se um dos nossos navios durante a sua regular escala de 24 horas no porto de maputo.

Tuesday, July 18, 2006

O IMORTAL!


Bom, por onde começar... o chassis tá podre, a porta do condutor está segura pelo forro, abre-se em andamento e não tranca, a caixa de velocidades mete dó, o servo dos travões não funciona, a direcção tem quase meio volante de folga, as molas são duras como cornos, gasta uns 16 litros aos 100 de gasolina super, só faz 2 piscas, não tem escova de limpa vidros do lado do condutor, não tem macaco nem chave de rodas, tem 2 depositosde gasolina (pudera) mas só um funciona, não marca kilometros, mas sim milhas e mesmo assim não funciona, deve chover lá dentro comó raio, só tem uma luz atrás, tem mossas, riscos e vidros partidos mas...é um Land Rover, é lindo, vamos correr esta áfrica austral toda e tou maningue feliz!

Wednesday, July 12, 2006

dias perfeitos...

Hoje esteve um daqueles dias lindos! Céu azul, temperatura amena, paz!
Ao fim do dia recebi um telefonema a avisar que tinha uma encomenda para levantar nos correios. Voei para lá e passada quase uma hora (nada mal!) lá tinha o esperado "pack saudade" nas mãos! Mesmo indo a caminhar pela confusão da baixa de maputo ao lusco fusco, não resisti e fui abrindo a caixa. Só já confortavelmente instalado no chapa (hiace com mais 20 pessoas) é que efectivamente abri a caixa de mimos acabada de chegar. Momento do dia: eu, num chapa à pinha a buzinar pelo caos da 24 de julho, calmamante a saborear um bolinho de canela com um enorme sorriso! Lindo!

A todos os amigos em geral e à rute, artur, nuno, ricardo, ju e toda a "crew" da figueira em particular um grande "MUITISSIMOS OBRIGADOS"! ;-)

Colombo, revisto e alterado! por: elisa santos

“Porque é que um ovo posto a girar na horizontal acaba por ficar de pé?” Assim começa o artigo que revela que dois cientistas – um matemático inglês e um físico japonês – explicam o segredo. Segundo a revista, a fricção é a chave do mistério. “A energia do ovo em movimento traduz-se numa força horizontal que puxa o ovo para a posição vertical” e, continua dizendo, “é preciso haver uma certa derrapagem entre o ovo e a superfície. (…)irregularidades na superfície fazem com que o ovo dê saltinhos que acabarão por pô-lo de pé.” Não fala o artigo do que acontecerá se o atrito for demasiado. Pode contudo adivinhar-se. Quebra-se o ovo, perde a forma e não poderá voltar a rodar, correndo mesmo o risco de, assim danificado, vir a apodrecer.

Sinto-me um ovo que gira frenético. Saltito, eu também, nas diferenças que vão atritando a minha casca. Roça o clima e a paisagem na minha pele e há um ardor que me diz da estranheza do corpo. Roçam também os olhos frente a peles de outras colorações, a outros hábitos de manejar os hábitos, as salivas e as palavras. Em todo este atrito o sobressalto é a única constante. Esta dança, uma espécie de polka russa, tem o ritmo do coração. Avanços e recuos fazem os dias da entrega a que muitos chamam inculturação. Se o ovo chorasse, será que lhe veríamos lágrimas de inquietude, de insegurança e de vertigem? Depois de estar em pé, será que o assolam as saudades do outro tempo, da anterior postura? Das invisíveis cicatrizes que ficam na casca do ovo não falam os cientistas, mas quando me detenho com mais cuidado na observação da minha pele, encontro-lhe uma cartografia diferente da que havia antes de começar este bailado que, parecendo um solo, está povoado de corpos.

“Mas porque é que uma equipa de cientistas, cada um em seu ponto do globo, passaria pelo menos quatro anos de volta de um ovo cozido?” Estudo da dinâmica dos corpos em movimento, das condições em vácuo, da microgravidade… Creio que se esconde, por timidez ou decoro, a verdadeira razão. A de derrotar a teoria de Colombo e admitir que descobrir um Novo Mundo é mais que uma travessia. É um desassossego. Não se pode pegar num ovo, achatar-lhe uma das pontas e dizer que está em pé. É preciso que ele roce, raspe e se entregue ao movimento, intenso e certo, para que enfim se erga. Terá contudo que ser um ovo cozido (curtido já por algumas efervescências e ebulições!), caso contrário “o líquido no seu interior absorverá a energia, evitando assim que ascenda”. Assim dizem os cientistas.

Thursday, July 06, 2006

aos bombeiros!

Embora longe, não me esqueço de vós.

Só nós é que sabemos o que é sair sucessivamente de uma cama quente para o frio e chuva das madrugadas de Inverno.

Só nós é que sabemos o que é lidar com os que acabaram de sofrer perdas indizíveis.


Só nós é que conhecemos a sensação acre na garganta e o ardor nos olhos de andar dias a fio, armados em Davides, a combater poderosos Golias bem alimentados por um país parolo.


Só nós…
Só nós…
Sempre e orgulhosamente nós!

Forte abraço

Tuesday, July 04, 2006

ilha de moçambique

top! nunca tinha tido tanta dificuldade em escolher umas fotos para o blog... por mim punha todas, mas dá muito trabalho...


este gato era um dos poucos utentes do hospital, em estado avançado de degradação


a fortificação portuguesa é espectacular - a melhor conservada do hemisfério sul





as crianças são incriveis na ilha, aos montes e sempre com grandes sorrisos

Monday, July 03, 2006

haemorrhoid hill e outras pérolas do lesotho!

Vista que estava a neve, rumámos a Maseru, capital do Lesotho. Objectivos: resgatar a Sandra – amiga da Filipa que estava no aeroporto há 7 horas à nossa espera e conhecer um pouco mais do país. Pelo caminho apercebemo-nos que o pequeno país efectivamente de pouco mais vive do que da exportação de água e energia… industria? Turismo? Nada. Agricultura? Tem visíveis problemas devido à erosão dos solos… Como o Lesotho é um país 100% montanhoso (Em todo o mundo é o país com a cota mínima mais alta! Todo o país fica a cima dos 1000m!) e a precipitação é elevada, os solos férteis são levados deixando em muitos locais a rocha nua ou então pequenos “grand canyon” que impossibilitam a lavoura agrícola.
Entretidos com estas observações e com discussões sobre os políticos tugas, chegamos a Maseru e um misto de desilusão com vontade de rir invade-nos a alma. “É isto a cidade capital?” Maseru é mais umas daquelas pequenas cidades tipo standard uniforme padrão sul africano. Terrível… às 21 já não arranjamos nenhum restaurante onde comer e o meu Lonely Planet recomenda o KFC como o melhor restaurante na cidade… não sabemos se havemos de rir ou chorar…
Resolvemos tratar-nos com um bom hotel e no dia seguinte avançámos pelo interior do país até à famosa sani pass – temerária fronteira para a áfrica do sul, onde em 8km a estrada desce 1000 metros e onde passamos em locais com os nomes: big wind corner, suicide bend, hairpins base, wisky spring ou haemorrhoid hill! Sugestivo não acham?
Arrancámos antes das 8 da manhã e estávamos a contar correr os 300km até à fronteira até à hora de almoço. Não podíamos estar mais errados… poucos km depois de sairmos de Maseru o asfalto acaba e começa a estrada de montanha em terra batida, pedras, neve… “ui…” pensámos alto. Resultado, a viagem foi linda de morrer, passámos em zonas super remotas, a mais de 3000m e vimos o Lesotho real: agreste, puro…no entanto, as últimas 2 horas foram uma correria e uma boa esfrega para a ranger 4x4… tínhamos de chegar à fronteira até ás 16.30, hora em que fechava e nos deixava a dormir no carro (o que havia de ser lindo com o frio que estava…). Os 40 minutos que costuma demorar a sani pass, nós fizemos em 20, mas chegámos ao posto com o relógio a bater nas 16.30, com os amortecedores em brasa de tanto buraco e a cabeça dorida de tanta cabeçada… ufaaaaa
O resto da viagem pela africa do sul foi surreal… não faltou nada: bateram-nos por trás em Durban, fomos assaltados perto de Richards Bay e ainda tivemos problemas na fronteira por falta de um papel qualquer do carro… safa… não faltou nada. Mais mortos que vivos lá chegamos a Maputo, praticamente com um dia de atraso mas com várias aventuras para contar! Venha a próxima!
A montanha que se vê no centro da foto foi o local onde os basotho primeiro de fixaram e foi a sua forma que deu a ideia para o chapeu que se tornou o simbolo do país. Há mais um monte de histórias, lendas e afins sobre a montanha, mas acho que não vos devem interessar muito.

Wednesday, June 28, 2006

OUT OF AFRICA

Pouco falta para as 10 da manhã. Os 0º de temperatura não ajudam ao nervoso miudinho que sinto quando atabalhoadamente estalo os skis nas botas. Como já estão a perceber não vos vou falar de um famoso filme, mas de um dia muito peculiar. À minha frente está uma das únicas (há outra em Marrocos não é?) pistas de ski de África e com o estalar dos skis começa um dia tudo menos africano. Skis e snowboards passam e saltam à minha volta felizmente indiferentes a uma figura que eu “eufemizaria” como cómica… a minha! Entre as quedas e gargalhadas típicas de quem está em cima de skis pela primeira vez vou confirmando as minhas suspeitas, os sul africanos são autenticas aves migratórias que ora invadem Moçambique com barcos e jet skis ora as montanhas do Lesotho equipados a rigor para a neve. O elo comum: sofisticados 4x4 e muito barulho. Crianças e adultos, homens e mulheres, todos loiros e de olhos claros berram em inglês e afrikaans (espécie de mistura de holandês com alemão). Resultado… sinto me em qualquer ponto do mundo menos em África.
Voltando à minha pessoa, decido ao fim da manhã deixar as crianças descansadas e avançar para a pista dos crescidos! Caio, caio, caio e volto a cair, mas ao fim do dia já consigo ter algum controlo… travar, curvar com os skis +- paralelos e andar no puxa rabos como um profissional! Mais um vício. E logo eu que já tinha poucos…
Confesso que já tinha saudades do frio! E aqui o frio é a sério. Durante a noite a temperatura entra bem nos negativos e até o gasóleo dos carros congela nos tubos. Que bem que sabe tomar um banho bem quente, estar à lareira e de seguida dormir sob o peso de 6 cobertores!

o orlando no dominio!

eu e o osvaldinho! o gajo que teve mais paciência para me ensinar!

a fiwipa sempre preocupada com a nossa integridade fisica!

Thursday, June 22, 2006

sem comentários

Thursday, June 15, 2006

4 meses...

“Moçambique estranha-se e depois entranha-se” dizem-me os que escolheram cá ficar mais uns anos após uma primeira experiência. Será que vai ser assim comigo? Eu nunca estranhei Moçambique, melhor, estranhei, mas foi pela positiva. Já estava habituado ao caos africano, já sabia o que isso era, já tinha tentado desenvolver algo em África (para África) e já conhecia as barreiras “ the usual suspects”, já conhecia a liberdade (que certas pessoas às vezes confundem com libertinagem…) de não viver rodeado de normas, regras e padrões. Eu estranhei Moçambique pelo ambiente “cool”, pelo nível de vida possível (embora apenas para uma minoria, mas isso é outra discussão), etc. Raios, até um restaurante japonês com bom nível há em Maputo…
Agora a questão é: como não estranhei, será que se vai entranhar? Dizem mais uma vez os entendidos que só se sente verdadeiramente a falta de Moçambique quando se regressa a Portugal. Dizem que tudo parece superficial e fútil, dizem que as pessoas em geral fazem perguntas, sem realmente querer saber, dizem um monte de coisas que para mim que amo Portugal e tenho lá todos os que amo não fazem muito sentido… vou esperar para ver…

Para quem quer considerar ficar cá mais uns tempos a trabalhar, Moçambique e nomeadamente Maputo oferece boas condições e excelentes oportunidades, mas… a distância às vezes é asfixiante. A trabalhar em qualquer parte da Europa os voos para pt são frequentes, rápidos e baratos, agora aqui… só há voos de vez em quando, nem sempre há vagas, os preços são um exagero e mesmo depois de nos conseguirmos meter num avião, ainda são 10 ou 11 horas (ou mais caso vá por jo’burg) de seca. Esta distância bate forte principalmente quando acontece algo em pt que nos faz querer estar lá imediatamente… acidentes, doenças, discussões…
Meus amigos, isto é tudo muito giro, mas estar do outro lado do mundo, de cabeça para baixo no hemisfério sul, por vezes é muuuuito duro. Para todos. Aqui não há heróis. Há fugidos, há malucos e os outros, os “normais”, sofrem.

Sunday, June 11, 2006

dia de portugal? nahh... festa da peruca!

Conseguem imaginar melhor maneira de celebrar e digníssimo dia de Portugal, de Camões e das comunidades portuguesas do que uma festa da peruca? Nos também não!
Os filhos do Maputo idealizaram, convidaram e executaram a um nível que envergonha certas recepções embaixadorescas...
Mais uma vez as fotos falam por si!











A organização: Filipas, Maria, Susana, Miguel e mim agradece a todos os presentes e em especial ao DJ Simão e ajudantes!

Sunday, June 04, 2006

osvalda!

continuo sem veia para a escrita...
vou postar só umas fotos de um sabado TOP em que fomos visitar a familia da nossa empregada martinha a casa dela num dos bairros periféricos de maputo. a ocasião era o "baptizado" de uma sobrinha da martinha que teve a sorte de ser chamada osvalda em honra ao nosso osvaldo! he he!


os filhos do maputo com a martinha, a osvaldinha e a filipa!


aqui com a nossa martinha!
os DJ's!
amor de filha é igual em todo o mundo...

irmão da martinha (o pormenor da kalash é lindo!)

Wednesday, May 31, 2006

>> liks! <<


xiii… ao tempo que eu já não escrevo… bom, tive a visita da liks! =) “in a nutshell”, na primeira semana ficamos a fazer aclimatação a Maputo, cidade, maltas, trabalho… chegado o fim de semana (3dias) fomos para a inhaca - ilha a 40km de Maputo. No fim de semana seguinte fomos ao kruger e dormimos lá no meio com a margarida (no vet camp). Incríveis os ruídos… medo… no dia seguinte vimos mais um mooooonteeeeee de bicharada e ao fim do dia, quando já estávamos a chegar ao portão de crocodile bridge (a queimar o horário de fecho…) somos surpreendidos por dezenas de búfalos na estrada e nas planícies circundantes. Como vínhamos por uma estrada de terra pouco utilizada (recomendada por um veterinário com quem tínhamos almoçado) ficamos com medo (eram meeesmo muitos) e resolvemos que tínhamos de voltar para trás e apanhar de novo o alcatrão para o portão. Resultado: violámos severamente os limites de velocidade e mesmo assim chegamos mais de meia hora atrasados… tugas!
Na semana seguinte tirei umas férias e resolvemos ir para bazaruto! A viagem foi uma aventura para o velhinho toyota que se mostrou merecedor da marca – lendária pela fiabilidade. Quanto a bazaruto foi lindo! Fizemos uma volta de barco pelas ilhas do arquipélago. Só capitão, cozinheiro, guia e nós! Luxo! Só me lembro de desejar ter uma máquina fotográfica nos olhos que tirasse foto sempre que eu pestanejasse! Parávamos para snorkeling, para comer em spots paradisíacos e para dormir. TOP! Foi a primeira vez que me senti recompensado pelos anos de massacre naquela universidade cujo nome não será aqui pronunciado para não estragar isto.
Muitas peripécias se passaram , mas tou com pouca vontade de escrever… deixo fotos pois costumam dizer que valem mais que 1000 palavras!


Thursday, May 04, 2006

kruger





Terça feira fui ao Kruger levar a margarida ao Vet Camp. Não havia transportes públicos para lá… Aproveito para ter um primeiro contacto com o que é “o” parque de bicharada a nível mundial.

Entramos pelos portões de Malelane e vamos até Skukuza, cerca de 65 km. É tudo super organizado e controlado. Uma vez no parque, não se pode passar dos 50 em asfalto e 40 em terra. Fora das horas de “expediente” ninguém pode andar fora das zonas de alojamento. É expressamente proibido sair do carro, blá, blá, blá. Resultado, ir ao kruger é uma espécie de visita ao zoo drive trough! Tivemos o prazer de apreciar os animais no seu meio natural, alguns apenas a 1 metro de distância. É giro. Vi: crocs, hipos, impalas, girafas, elefantes, rinocerontes, kudus, zebras, babuínos e um monte de passarada que não sei identificar. Vi também uma leoa, bicho imponente… estava doente e tinha sido apanhada pelos rangers e levada para o vet camp.

Aconteceu uma cena… safa… a leoa estava meio atordoada na parte de trás de uma bakkie mas estava com os olhos abertos. Os rangers estavam a comentar com 2 veterinários onde é que tinham encontrado, etc. Depois há um que se vira e diz: “She is a fine animal though.” E outro corrige “was… she won’t last trough the night.”. Quando o gajo diz isso, o animal começa a chorar em silêncio. A lacrimejar mesmo. Nunca tinha visto um animal lacrimejar daquela maneira. As gotas transparentes escorriam pela “cara” e pingavam no chão. Incrível… bem sei que os animais não falam e há quem os chame de irracionais, mas que foi uma coincidência que me deixou arrepiado, lá isso foi.

Wednesday, April 26, 2006

"nobody cares about africa"

O domingo foi dos bons… dormir até ao meio dia, passar a tarde e anhar e terminar com um filme. Desta vez foi o Hotel Rwanda…. Não tenho palavras. A primeira vez que vi o filme não consegui dormir a seguir. Desta vez nem consegui acabar de o ver… Os que acham que fui duro nos comentários sobre a intervenção (influência) da Europa em Africa, vejam o filme (baseado – infelizmente – numa história real) e depois falem comigo. Como é que é possível… vergonha…

Como alguém diz em mais um filme de Hollywood: “This is Africa. Nobody cares about Africa…”

Mais um exemplo: as tabaqueiras. Ameaçadas de morte que estão na Europa e States, voltam-se agora para a Ásia e África. Apresar de tudo há pouca gente a fumar em Africa, não há dinheiro. No entanto as tabaqueiras querem inverter essa situação e apostam. Incentivam os mais novos à descarada… vejam esta: na discoteca da moda, a entrada custa aos sábados 300.000 meticais. É caro, mas enche sempre. Na semana passada, uma marca de tabaco resolveu comprar a noite e assim, todos os que comprassem dois maços do tabaco deles, não pagavam estrada. Claro que como os dois maços custavam 40.000 meticais (pouco acima de um euro… ridículo…) toda a gente comprou o tabaco. Eu lá andei com os maços no bolso e à saída ofereci um maço ao arrumador e outro foi para casa onde o fumassa lá deu conta dele. Estão a ver a quantidade de malta que se calhar começou a fumar? Ter tabaco no bolso e álcool no sangue numa disco em que estavam constantemente a interromper a música para fazer publicidade se calhar é uma tentação grande… bom, mas com uma esperança média de vida de 40 anos…
De qualquer modo, o adjectivo mais adequado parece-me um frequentemente usado pelo amigo fumassa: SI-NIS-TRO…

festa

Sábado estamos a organizar festa lá no burgo. Apresentação da casa! Preparamos tudo e com o atraso moçambicano lá começam a aparecer os convidados. Felizmente o passa a palavra funcionou e acabámos por conhecer montes de malta nova e interessante. Tivemos desde marines norte americanos a voluntárias dinamarquesas que tomaram no dia da nossa festa o primeiro duche desde há dois meses! Ao todo tivemos sete nacionalidades (pelo menos… nem cheguei a falar com toda a gente!). Estão confirmadas as suspeitas! Temos grandeeee casa para festas!
Com o passar das horas a casa foi ficando fazia e um grupo de resistentes resolveu dar descanso aos santos vizinhos e arrancámos para o coconuts de onde só saímos já o sol aquecia o Indico.

I´bane

No dia seguinte arrancamos pela madrugada para Inhambane – I’bane para os amigos. Vamos num Pajero longo que a Filipa nos emprestou pois lá para cima o 4x4 é altamente recomendado e até obrigatório para os locais onde queremos ir. Incrível a diferença de desenvolvimento de Maputo vs resto do país… a partir do Xai-Xai (que fica a 200 km de Maputo, num país que tem prai uns 2000 de comprimento é uma desgraça. A estrada estreita, nascem buracos por todo o lado, desaparecem as bermas… até há troços que são de terra (imaginem o lamaçal quando chove…). Os centros de saúde das povoações são pequenas casas certamente sem equipamento e as palhotas tornam-se a habitação predominante. Mesmo I’bane, uma das cidades do país está muito deserta. Parou no tempo… para terem uma noção, corremos os restaurantes e cafés todos no sábado e nenhum tinha TV para se ver o futebol. Acabámos por ver numa residência de estudantes da universidade da terrinha! Quando o Porto ganhou foi um festival, mas pelo que tenho visto, se fosse o Sporting o vitorioso a festa seria igual. Este povo quer é festa!

Assim como a ponta do ouro, estas praias são também colonatos sul africanos. Tudo é invadido por eles campinómanos que com os seus super4x4 que até casa de banho devem ter. Invadem Moçambique mas não deixam cá nada pois trazem tudo, rigorosamente tudo, da Africa do Sul… Os campings e resorts onde ficam e os bares que frequentam são também de sul africanos e em todos somos atendidos em inglês… os preços são em Rand, etc.

Quanto às praias propriamente ditas – principalmente Tofo e Barra, devo confessar alguma desilusão (se calhar também por causa de ter andado 1200 km para lá ir e voltar…). O Tofo é uma espécie de fonte da telha, mas com água mais quente. A Barra, um pouco mais exótica pelo seu branco areal ladeado de coqueiros e águas transparentes deixou-me um pouco mais satisfeito, mas não apaga o sentimento de frustração pelos 1200km de viagem… acredito que sejam locais fantásticos para mergulho, razão pela qual hei de voltar – breve – quando tiver o curso.
Embora tenhamos trazido tendas, o Osvaldo põe completamente de lado a hipótese de campismo e assim ficamos em lodges. Na primeira noite, no Tofo, ficámos numa camarata de 10 camas (mais para backpackers) e na segunda, já na Barra, num chalet rodeado de coqueiros mesmo à beira mar. Saímos do chalet (com cozinha) e vamos para a praia onde volta e meia passam mamãs a vender peixe e camarão recém pescado… Não se está mal! O único problema são umas medusas que andam no mar e quando picam deixam umas marcas dolorosas… lado positivo: o mar está tão transparente que essa bicharada se consegue ver a relativa distância. Ainda assim não consigo relaxar e completamente usufruir do belo local onde estou.
Visitámos também o famoso Flamingo Lodge. Fomos beber uma laurentina no bar porque o Afonso estava lá também a passar o fim de semana com a família. O spot é bonito, mas naturalmente não é como as fotografias no web site o pintam… o fotógrafo deve lá ter passado uma semana para fazer meia dúzia de fotos e depois, a sensação à chegada é uma quase invariável desilusão (principalmente para quem vem de Portugal e paga um balúrdio para passar ali uma semana…).

Nas zonas de passagem de turistas já se vêm crianças com as habituais macaquices (neste caso dançavam cobertos com ramos) para cravar desesperadamente qualquer coisa… isto tira-me do sério… cria péssimos hábitos para as crianças e nas zonas que já têm este tipo de turismo há mais tempo os putos chegam até a mandar pedras a quem não dá nada.
E nós, turistas, invariavelmente damos qualquer coisa, ou pior ainda – atiramos dos carros em andamento… pode ser com a melhor das intenções, mas de boas intenções está o inferno cheio… não façam isso por favor. As crianças esfolam-se pelas canetas ou rebuçados, andam à porrada e por vezes até são atropeladas no meio destas sessões de “bom samaritanismo” de quem passa e na altura quer ajudar e fazer qualquer coisa para se sentir melhor, mas que depois rapidamente esquece o problema… é tão fácil: “ahhh coitadinhos… que condições miseráveis…” “deixa dar qualquer coisinha…”
Querem ajudar? Ajudem as associações que desenvolvem trabalho nessas regiões, apoiem a nível da comunidade, envolvam-se. Há varias entidades credíveis que aceitam ajuda. Tudo é mais útil do que atirar rebuçados e umas moedas como quem atira migalhas de pão seco aos pombos… Já pensaram que se tivessem crescido num local em que todos os dias passava alguém que deixava 500 ou 1000 paus se estivessem na beira da estrada a fazer macaquices certamente não seriam o que são hoje? Opção: ir para a escola e apenas receber estímulo, educação e orientação (bens pouco tangíveis para crianças) ou ir para a beira da estrada e chegar ao fim do dia com uns trocos e rebuçados no bolso? Escolha complicada…

Eu também tive esse comportamento – vejo hoje, de babuíno – a primeira vez que fui a Marrocos, mas rapidamente me apercebi que fazia mais mal do que bem e deixei de o ter. E o que levo em troca? Agressividade por parte das crianças, porque não dei nada e incompreensão por parte das pessoas a quem eu peço para não fazer isso e tento explicar as razões…

Velocidade de cruzeiro

Praticamente passaram dois meses desde que cheguei. Estou a atingir a velocidade de cruzeiro em relação a Maputo. Quanto ao resto do país, ainda… Este fim de semana devemos ir para os lados de Inhambane. Parece que há por lá spots próximos da nossa noção ocidental de paraíso! Há ainda tanto tanto para explorar neste país e arredores!
Quanto a trabalho… bom… Sinto-me uma Alice a cair pela toca do coelho… Why? Oh why didn’t I took the blue pill?
Regra: aparentar estar sempre na boa, mas estar sempre alerta. Bem alerta… a qualquer altura nos esticam o pé e estamos esticados ao comprido pela chão fora.
Africa… mesmo situações banais se podem transformar em grandes problemas… há que estar muito atento e acreditar forte e feio na intuição. Viram o filme “A Interprete”? Com a Nicole Kidman. Há uma cena, quando umas crianças assassinam o irmão dela (filmada na praça de touros de Maputo) em que há indícios que algo vai correr mal... olhares, ambiente… Estão a perceber o que quero dizer? Claro que na cena do filme o gajo é morto e eu estou a falar em situações de uma escala completamente diferente (aliás, outra escala), mas a ideia é a mesma.
Por exemplo no domingo, fomos explorar os arredores da cidade para os lados da costa do sol. Fomos a um mercado de peixe na praia, vimos os locais onde têm andado a filmar um filme qualquer com o DiCaprio e depois entrámos um bocado pelo bairro (perfeitamente pacifico, seguro, etc.). A certa altura uns polícias mandam-nos parar, documentos, etc. e mandam-nos sair do carro. Hummm… ok… começaram a revistar o carro todo e eu no tal estado de aparentemente na boa mas alerta intui algo de estranho nos polícias. Talvez fosse paranóia, talvez não, mas a verdade é que algo me fez ligar o sistema de alerta e fui me pôr a inspeccionar o polícia que estava a revistar o carro. Quando ele viu que eu não estava a dormir (embora eu estivesse com a minha melhor postura de nacional porreirismo a perguntar coisas sobre um outro mercado de peixe, etc.) houve ali qualquer coisa estranha que nós não entendemos e de repente, devolvem-nos os documentos, mandam-nos entrar para o carro e fazem sinal para seguirmos. Hummm… ninguém me tira da cabeça que aqueles gajos estavam para nos lixar e algo os fez mudar de ideias… ou gostaram de nós, ou sentiram que nós estávamos atentos ao que estavam a tentar fazer (esconder droga ou armas no carro, para imediatamente ou mais tarde nos lixarem forte e feio)… confesso que não sei e provavelmente não seria nada disso, mas lá que algo não me cheirou bem, isso é facto. Espero nunca ter de adoptar o discurso de ultimo recurso e utilizar o meu DIRE que me identifica como pessoal da embaixada portuguesa, logo, com direitos de diplomata!

FIM DE SEMANA PROLONGADO!!! Pego no carro para ir para casa e como costume dou boleia a algum pessoal da empresa. Ao deixar dois deles, num daqueles mercados típicos, resolvi sair também para comprar alguma fruta e aproveitar o facto de estar acompanhado de habituées (não sei se está bem escrito) para entrar num mercado onde não entraria sozinho. Comprei uns cocos e de seguida ofereci uma cerveja aos mecânicos que estavam comigo. Foi porreiro estar um bocado ali no meio daquele pessoal, a curtir as conversas e ambiente verdadeiro de Maputo.

swazi, 2ª semana

Começo a ficar ambientado a esta santa terrinha onde não se passa nada. Parece que parte do meu mal-estar e cansaço crónico nos primeiros dias cá se devia há habituação do organismo à altitude. Pelo que me dizem, Mbabane tem uma cota de cerca de 1800 metros e na Ngwenya (lê-se “inguenha”) onde ficam as oficinas estamos quase a 2000. Parece que não, mas mexe com o corpo…
De manhã alteram-nos a hora de uma reunião com um potencial cliente e de repente ficamos com duas horas livres e nada para fazer! Resultado: fui com o Andrews (o tal swazi com sangue real) conhecer algumas peculiaridades de Mbabane. Daquelas que os estrangeiros (e muito menos os turistas) nem sonham!
Primeiro fomos ver o local onde está sepultado o fundador da cidade, o próprio Sr. Mbabane. Estava à espera de encontrar um monumento, mas não podia estar mais errado. No meio de um baldio está um amontoado de pedras rodeado de capim alto… é isso! O túmulo do fundador da cidade apenas têm uma velha, pequena e partida vedação a proteger (se estivesse inteira) um monte de pedras… ok…
De seguida fomos ao mystery pond! O mystery pond - manjolo fica num local lindíssimo nos arredores da cidade e é um local muito importante para um dos clãs fundadores da Swazi os Msibi. Os Msibi são um dos clãs Bantu que na sua fuga (difaqane) das barbáries do famoso Shaka dos Zulu (A.K.A. Shaka Zulu) se fixaram nestas terras. O pond (charco…) é importante para os Msibi porque é utilizado quando há disputas de liderança no clã. O funcionamento é simples, metem-se os dois candidatos com tochas acesas de um lado do manjolo (muuuuiiito fundo, pelo aspecto e pelo que me contaram penso tratar-se de um algar) e é eleito líder o que conseguir atravessar o manjolo (submersão total) e aparecer do outro lado com a tocha ainda acesa. Todos os anos, os Msibi fazem romarias para ir fazer rezas e feitiçarias ao pé do seu precioso manjolo. Mistiquisses à parte a verdade é que todos os que tentaram explorar ou alterar o charco (incluído uma equipa de mergulhadores ingleses e um operador de uma giratória que tentava abrir uma vala para tirar água) morreram. Facto é que a região em redor do manjolo se mantém completamente virgem embora estejamos perto da cidade e a toda a volta (com a devida distância) haja construções (safa, está cá uma trovoada lá fora agora…).
Outro facto é o curioso desvio que o rio faz para se afastar do pântano… o rio parece desviar-se desafiando a gravidade só para fugir do manjolo mystery pond…

É tão diferente a cultura africana… clãs, crenças místicas fortíssimas (ainda existentes), etc… conhecendo, mesmo apenas uma pontinha, da verdadeira cultura africana é fácil compreender porque há tanta dificuldade em adoptar o sistema que os colonizadores tentaram implementar e que quando viram que não era fácil abandonaram deixando este continente imerso na confusão… Há diferenças enormes… no sistema tradicional africano, um rei (diferente do monarca europeu) para ser rei tem de cumprir várias condições (está uma trovoada que me encandeia e faz tremer a casa… safa…) e ser apontado por um grupo de sábios variados. O antigo rei tradicional africano governava em conjunto com os conselheiros e também em conjunto com a pessoa que ele respeitava acima de tudo, a sua própria mãe. O novo líder africano, consegue chegar a presidente de um dia para o outro (metaforicamente falando claro) à força através de um golpe militar, mantém-se no poder através de eleições traficadas e cedo se torna um ditador cujo único objectivo é comer o máximo sem respeito pelo povo…
Nós introduzimos a democracia, mas não a ensinamos em condições nem demos (porra… os vidros abanam todos… mando cada salto da cama…) tempo suficiente para esta malta maturar a ideia… o resultado tem se visto nas ultimas décadas… Será que era assim tão difícil compreender que esta sociedade assentava em princípios completamente diferentes? Valores e crenças diferentes? E viviam assim há milhões de anos em alegria e paz (fora a ocasional e natural pega com o vizinho por causa de terras…).
Não condeno os pequenos que vieram para África fazer o melhor que podiam para tentar desenvolver esta região. Condeno os estrategas, os que decidiram avançar com uma “civilização” que impunha tudo de novo em vez de encontrar um novo equilibro juntando o melhor de dois mundos… como disse um dia o sábio rei Sobhuza II da swazi: “um piano só toca bem quando são utilizadas as teclas pretas em conjunto com as brancas.”. Enfim… tenho de continuar a amadurecer esta ideia.

Continuando com o tour à verdadeira swazi, o andrews leva me de seguida à Msunduza, um bairro tipo favela (onde os mulungos não se aventuram sem estar acompanhados de alguém local e influente) e mostra-me a casa onde o Samora Machel e o seu amigo mais novo, o Guebuza (actual presidente de Moçambique) estiveram escondidos dos tugas pelas suas ideias revolucionárias.

prisão na swazi

Fui passar 2 semanas à Swazi em trabalho. Chega o fim de semana e para grande luxo, acordo às 9. Durante a semana o normal era acordar às 6… A minha malta vem me visitar no fdsm, mas enquanto não chegam, decido ir dar uma volta a pé por Mbabane. Só andar pelas ruas, ver o ambiente, sentir os cheiros… bom… fora um centro comercial não há um único cafezinho com esplanada para eu me sentar a degustar um filter coffe (nem expressos há aqui… sniffff…) continuo a caminhar na vã busca pela minha esplanada e passo por zonas que embora aparentemente mais limpas que Maputo, têm por vezes cheiros nauseabundos. Não consigo perceber de onde vem o cheiro, mas volta e meia dobro uma esquina e lá está ele… terrível e sem grande razão aparente. Em Maputo, há lixo pelas ruas, águas duvidosas a escorrer, etc. agora aqui? Aparentemente limpa, Mbabane deve ser de descendência francesa…
Nisto passo uma rua e ainda vou a meio quando começo a ouvir um apito. Olho na direcção do som e vejo um polícia que vem na minha direcção. Apercebendo-me que é comigo, paro e espero para ver o que ele quer. Deve querer ver a minha identificação ou avisar-me de alguma coisa penso descansado. Quando ele está a chegar ao pé de mim lembro-me que deve ser algo relacionado com a máquina fotográfica. Errado…
- “You know sir, in swaziland you can’t cross a street outside the pedestrian areas.
- Really? Sorry, I didn’t knew that. I won’t do it again. Those lines there mark the proper areas?
- Yes.
- Ok! Sorry. (e preparo-me para ir embora, mas apercebo-me que a história não vai ficar por ali) So… what is the fine?
- No fine sir, we are arresting. (por um segundo deu-me vontade de soltar uma gargalhada, mas quando ele me agarra o braço, a força que faz deixa claro que está a falar a sério.
- Really? You are arresting me for his? No way.
- Yes sir, we have to go now.”



E sem mais nem menos, puxa-me pelo braço e enfia-me numa ramona. Imaginem tudo o que tinha na cabeça nesse momento… Quando entro para a carrinha apercebo-me que não era o “tourist trap” que eu pensava pois já lá estavam umas outras 8 pessoas swazis. Em conversa, descubro que por vezes fazem isto. Metem-se à espreita e apanham quem passa fora das passadeiras. As pessoas estão revoltadas, mas mostram-no moderadamente e sempre a ver se os polícias estão a ouvir. Segundo eles, os cretinos dos polícias perdem tempo com isto, a chatear os sérios e trabalhadores, enquanto os violadores e ladrões andam a monte. Naturalmente esta revolta só é demonstrada quando os polícias não estão a olhar… xissa, isto deve ser pior que Portugal antes da revolução…
Pelo caminho ainda consigo tirar uma foto, mas pela reacção dos meus colegas criminosos, acho inteligente estar sossegado e discretamente tirar a bateria da máquina, caso os polícias quisessem ver o que tinha andado a fazer. “nothing you see, the batteries are down.”

Chegados à esquadra (com direito a uns toques de sirene da ramona pelo caminho e tudo!) levamos todos um chá sobre o perigo de não passar nas passadeiras e explicam-nos que temos de pagar 60 emalangeni (moeda local indexada ao rand) de fiança ou então esperar por julgamento que seria segunda feira (2 dias numa prisa africana?? Nahhh…). 60 emalangeni são perto de 10 euros, mas para terem noção, as multas de excesso de velocidade cá variam entre os 10 e os 60 emalangeni. Ou seja, 60 é pesado… Alguns de nós pagam a fiança e recebem um fantástico recibo que descreve a transgressão como: “conducting himself in a manner likely to constitute a source of danger to himself” ok... Aprendi a lição! Aprendi também que quando se tem um passaporte especial (com direitos diplomáticos segundo parece) anda-se com ele… tinha me safo disto tudo se não o tivesse deixado na gaveta da mesa de cabeceira…
Outros não pagam a multa e lá ficam até segunda-feira ou até que alguém lá vá pagar a fiança. E depois do julgamento, caso culpados (quase sempre) ou pagam, ou ficam dentro 30 dias, explicam-me à posteriori na atlas.

10 euros e não tenho direito a que me deixem no local onde fui caçado (tinha o carro lá ao pé). Raios, tenho de ir a penantes…

Com estas voltas todas a minha malta já tinha chegado e vou ter com eles em pulgas por cantar mais esta aventura para currículo.
Almoço e volta turística pela swazi. Fomos ver o Sibebe rock, que segundo os swazis é o 2º maior monólito do mundo, a seguir ao Ayres rock, down under. Estranho… onde é que eu já ouvi isto? Já na Mauritânia me tinham dito que um mega calhau que lá está no meio do deserto (não me lembro agora do nome) era o 2º maior… cada um puxa a brasa à sua sardinha!

À noite decidimos dar-nos ao luxo de ir ao melhor restaurante da swazi! Reservas feitas lá vamos ao famoso Calabash! Empazinamo-nos com um banquete digno da nossa condição de “nata da nata”, “guarda avançada do plano tecnológico”, e outras barbáries que nos chamaram na lavagem ao cérebro que foi o curso intensivo de gestão internacional que tivemos em Lisboa antes de nos espalharem pelo globo e quando nos estávamos a preparar para tremer com a conta, o Luís, dono da Atlas motors (empresa mãe da empresa onde estou a trabalhar) chega-se à frente! Catita!

Friday, April 21, 2006

Kalashnikov!

Lembram-se das ubíquas kalashnikovs? Afinal funcionam. Medo…À noite, estamos nós numa esplanada mesmo à porta de casa a jantar e começa alto granel… seguranças a correr, gritos, etc. Ao mesmo tempo, um colega – que tinha ficado em casa – liga com voz de caso. “onde estão?” “não entrem com o carro para a garagem… está lá um gajo esticado. Levou um tiro.”
Chega a policia. Parece que houve uma desavença qualquer entre dois seguranças e foi resolvida, naturalmente, ao tiro. Dizem que o gajo não morreu, “acertou na perna”.
Muito medo… avisam-nos que a vida cá vale muito pouco e as centenas de seguranças armados que há pela cidade são, na sua maioria ex-combatentes, passados da cabeça e com nostalgia pelos tempos de guerra e sangue. Esperemos que a emoção de jogar damas com caricas o dia todo lhes vá servindo de escape por muitos e bons anos. Anyway, a lição está aprendida. Sê cortez para os guardas. Não te metas em qualquer espécie de confusão. Sê invisível. A vida por aqui vale pouco…

Descubro por acaso algo muito interessante, mas que não posso escrever aqui e nesta emoção chega novamente a sexta-feira! Desta vez resolvemos ir conhecer a famosa estação de comboio de Maputo. A tal do também famoso Eifel… Parece que há um jazz bar na estação e por vezes à noite tem concertos fixes. Depois de uma matapa oferecida pelo Ricardo, patrão do Miguel e responsável pela Plural Editora (Porto Editora) rumamos à estação. Cenário grandioso e admirável surpresa… um grupo de músicos (maioria para os percussionistas) toca em plena linha do comboio, num vagão “flat bed”. Lindo o som, lindo o ambiente, linda a originalidade, linda cidade esta onde quem queira, todos os dias tem boa musica ao vivo, exposições ou cinema em variados centros culturais.
De seguida decidimos experimentar o badalado Coconuts, mas pessoalmente não saio fã… muito dinheiro investido, muita gente, mas pouca alma e péssima musica (para os meus gostos claro…) e péssima qualidade de som.

Africa – continuação

Nas minhas deambulações tinha outro dia terminado com a questão: porque é que África sempre teve um estado de desenvolvimento económico inferior à Europa. Bom… há teorias que dizem quem África não se desenvolveu tanto como a Europa porque deixou o nomadismo mais tarde devido à dificuldade em domesticar os animais. Segundo alguns estudiosos do assunto é este o cerne da questão. Enquanto na Europa os nossos animais facilmente foram domesticados e postos a nosso serviço, em África, os animais autóctones, na maioria muito mais selvagens em nada ajudaram as tribos a evoluir – excepto na caça. Tudo o resto depois é consequência desta premissa. Os europeus criavam animais, logo andavam mais bem alimentados que os africanos que tinham de estar sujeitos às incertezas da caça. Os europeus tinham o cavalo para se deslocar e transportar cargas, os africanos não… seria interessante ver uma carruagem puxada por gnus ou girafas…
Outro factor: clima. Embora tenhamos na nossa história pelo menos um exemplo de uma civilização que conseguiu um elevado estado de desenvolvimento e conhecimentos científicos (só não conheciam era a pólvora utilizada pelos espanhóis…) mesmo vivendo numa região tropical, penso que o clima também ajudou a atrasar o desenvolvimento. Na Europa o clima é temperado/frio o que, como a necessidade aguça o engenho, pressionou ao desenvolvimento de cada vez melhores habitações e todos os sistemas adjacentes. Com as melhores habitações, melhor alimentação e melhor capacidade de transporte, o resto depois vem por acréscimo. Já em África, o clima maioritariamente quente que se vive todo o ano, não só fez com que o desenvolvimento de habitação não fosse um problema como ainda tira a vontade de trabalhar. Convenhamos, por mais adaptado que se esteja ao clima, não é fácil trabalhar nas condições climatéricas que muitas vezes existem cá...

Será isso?

Ponta do Ouro - colonato Boer em Moçambique

Mais um fim de semana! Destino? Ponta do Ouro – extremo sul de Moçambique. A viagem demora mais de três horas, quase duas em areia solta só para 4x4. Entre cabeçadas no tecto e protestos de quem vai na chapa lá chegamos. A casa onde vamos ficar é indescritível… em madeira, construída na praia e equipada com os mínimos: mega sistema de som, mega frigorífico, bons quartos, bons sofás, etc. A casa não é profissional de aluguer. É de um sul-africano que aluga a amigos. “it appears you know someone who knows someone who knows the owner…” “ok… 2300 rand for the weekend” diz-me uma Sul Africana que trabalha no café del mar – ponta do ouro e tem as chaves da casa.



Deslumbrados com a casa e com a praia lá entramos de cabeça para o Indico e cedo nos apercebemos que naquela zona o mar não é para brincadeiras. Ou se está muito à vontade na água ou é melhor não passar da água pela cintura… há correntes em vários sentidos. As ondas, fortes como as do centro/norte de Portugal quase me arrancam os calções duas vezes. Quando sinto que estou a ser arrastado por uma corrente, mergulho e nado junto ao fundo para descobrir outra completamente diferente em sentido, mas igual ou pior em intensidade. A condição de não escorregamento – teoria de Mecânica dos Fluidos aqui nada vale. Enfim… um local onde é preciso ler o mar e nunca perder a calma nem esgotar as forças contra correntes impossíveis.
Depois do oxigenante banho e de uma sesta daquelas que sabe pela vida arrancamos a pé pela praia para ver um pouco do resto.
Tinha-vos dito que a Ponta do Ouro é em Moçambique certo?
Errado… a Ponta é um colonato Bóer (sul-africano). Só há sul africanos… os preços estão em Rands, e até a língua usada (mesmo pelos empregados moçambicanos) é aquele inglês característico (leia-se terrível) que se fala cá para baixo. Incrível… barcos, motos de água, kite surfers, bmw X5, belas motos (trail claro). Muito nível… Boa qualidade de vida (financeira e não só) se respira por aqui.
Este é daqueles sitos que nos faz pensar na vida e na correria e stress com que a levamos.


Como o Gonçalo Cadilhe gosto do sal marinho no corpo e assim passo o fim-de-semana só com banhos de mar! O pior é o cabelo… palha-de-aço! Só me hei de passar por água doce no domingo antes de arrancar para Maputo e apenas por uma questão social… toda a gente a tomar banho... parece mal!
GOOOOOOD MORNING PONTA DO OURO!!! 8 horas de sono fazem-nos renascer (quais Fénix) e lá arrancamos em missão exploratória. Descobrimos uma zona da praia cheia de pequenas piscinas no meio de coral, água transparente… enfim… vou ficar por aqui… não me sinto capaz de fielmente descrever o local.

Começa a chegar a hora de ir embora… custa… ainda não saímos e já estamos com vontade de cá voltar. A casa tem um livro onde quem por lá passa pode deixar umas linhas. Pouca gente… Estamos em Março e somos os primeiros de 2006. O que escrever? Sento-me com o livro na mão e olho em redor. Rapidamente sei o que sinto e com aquele sorriso de gato escrevo simplesmente: “Lucky us!”

Como o caminho foi duro e a confiança na bakkie japonesa (bakkie é o que chamam cá às pick-up) é perto de zero faço uma pequena inspecção. Óleo e água ok! Gasóleo ok! Fugas? Nada de especial! Pneus… ooopppsss… 3 ok, 1 ko… prego… parece que o furo é lento e decido encher bem antes de sair e esperar que chegue a Boane (local a uns cento e picos km onde vamos apanhar o alcatrão). Lá haverá bombas onde encher novamente e assim há de chegar ao Maputo.
Mais um bocado de dolce faire niente, mais um prego – desta feita no pão, para forrar o estômago – e lá arrancamos. Levamos quatro passageiros extra e nem imaginamos como vão ser úteis…
Com a chegada das primeiras areias ficamos atascados… raios… a curva em subida nem parecia assim tão difícil. Deve ser do peso penso. Aliviada a carga tento novamente e nada. Aí reparo que nas rodas da frente, tracção nada. Mais bolos… ok: cubos? Lock! Caixa de transferências? 4L! Estranho… partiu… se calhar não é assim tão estranho como isso… 270mil km e pouca manutenção… Solução: Meter o pessoal a empurrar, Diff lock traseiro ligado, leitura cuidadosa do terreno de modo a poder aproveitar o momento do cangalho e tudo há de correr bem.
E correu! Ninguém imagina a temperatura a que deve ter chegado aquele eixo traseiro, constantemente a plissar em esforço pelas tórridas areias. Eu faço uma ideia, mas não digo nada a ninguém…
Se o Shlesser faz o Dakar só com tracção atrás por que raio é que não havíamos nós de conseguir regressar a Maputo?
Passámos por uma outra bakkie que se arrastava a palmo pelas areias. A cena era linda: condutor ao volante, umas dez pessoas na chapa como se nada fosse e um desgraçado num esforço surreal a empurrar.

Mais mortos que vivos e depois de 4 horas de porrada no lombo alguém pergunta: “se te dissessem que se voltasses agora para a ponta podias lá ficar uma semana, voltavas?” resposta unânime… SIM!

Segunda-feira, sete da manhã. Volto ao batente fazendo-me à estrada. São 20 km até ao Zimpeto que é onde fica o estaleiro da MozEquipments. Em contraste com o fim-de-semana, o dia amanhece cinzento e também eu estou meio cinzento e com pouca paciência para esta selva… o trânsito é o caos. Das duas faixas fazem-se cinco, ou seis, já nem consigo ter a noção de faixa de rodagem. Sou ultrapassado pela direita, pela esquerda, como fumo, muito fumo (e aqui ainda de usa gasolina super…) passo buracos, altos, crianças a correr, animais, “chapeiros” (que é tipo “fogareiros” em Lisboa), machibombos pré-históricos em estados e com cargas indizíveis e cabritos em equilibrio em cima delas, vendedores de tudo e mais um par de botas… ahhhhh… eu que não tinha pachorra para trânsito em Lisboa tenho de vir gramar com quarenta minutos de massacre todos os dias… safa… é castigo. E a minha bela, jovem, potente e segura Honda CBF600 na garagem…
O que vale é que se vê sempre algo que faz soltar uma gargalhada! Desta vez era um artista, na berma, a pseudo-soldar uma lança de um daqueles carrinhos de transportar cargas à mão (uns que têm uma zona de carga plana, duas rodas de bicicleta e uma lança com pega para o condutor). Uma fogueira no chão, a zona a reparar por cima e o resto só a cabeça dele saberá pois eu já não tive tempo para apreciar mais nada.

Africa, whatever you thought, think again…

Certo dia, durante o regresso de uma viagem de trabalho pedi ao Afonso (administrador da empresa onde estou) para abrandar para eu tirar uma foto ao pôr-do-sol sobre a savana. Qual o nosso espanto quando uns putos que caminhavam pela berma (deviam estar a regressar da escola ou assim) param uns segundos a olhar para o carro a abrandar e a encostar à berma e de seguida disparam a correr em todas as direcções para o mato, desaparecendo rapidamente no capim… Uouuu… embora estes putos já tenham nascido em tempo de paz (deviam ter no máximo 10 anos) o instinto disse-lhes para fugirem… incrível… ficamos sem palavras.
Viver em África é uma lição de vida para quem como eu cresceu na Europa cheia de regras, moralismo barato e egoísmo inato. Durante toda a nossa educação somos protegidos da vida, cheios com regras de conduta, “moral”, “boas maneiras” que como são impostas e não adoptadas naturalmente têm um resultado artificial.
Esta super protecção leva infelizmente a que as pessoas cada vez vivam menos e assim é perfeitamente normal chegar-se ao fim de um curso universitário, com 25 anos, sem saber nada de jeito sobre a vida… sabe-se jogar um monte de jogos de computador, sabe-se absolutamente tudo sobre um outro jogo que consiste em correr com uma bola e fazer com que ela entre num local defendido por um adversário, sabe-se em que lojas e em que locais é melhor comprar determinados produtos, sabemos tudo sobre complicadas teias da vida de personagens de ficção e não conhecemos sequer o nome dos nossos vizinhos, não nos interessamos pelos pontos de vista de tantas outras culturas tão diferentes da nossa e com as quais podemos aprender coisas interessantes e úteis, não fazemos ideia de como vive grande percentagem dos irmãos humanos com quem partilhamos este planeta cada vez menos azul, não fazemos ideia que o nosso estilo de vida é absolutamente insustentável e que se todo o mundo vivesse como nós, seriam precisos os recursos de uns dez planetas, etc. Sabemos tanto do mundo que, por exemplo, não fazemos ideia que morrem mais pessoas por afogamento do que à sede no Sahara. As relações com colegas e amigos, muitas vezes apenas abordam assuntos superficiais ou então servem para comparar factores indicadores de sucesso (para o qual toda a sociedade tanto nos pressiona). E até estes indicadores estão corrompidos… sucesso é ter um telemóvel topo de gama, enfiar durante 15 dias por ano a cabeça na areia num resort “paradisíaco” de preferência noutro continente sem querer saber dos fantásticos locais que temos no nosso país, é andar de BMW e poupar no dentista. Não sabemos bem o que é a vida. Vivemos empolados pela magnificência da nossa tecnologia mas já não sabemos curtir um céu estrelado que nos faz sentir tão pequenos, insignificantes e felizes nessa pequenez. E mesmo que quiséssemos curtir um céu não seria fácil… Há demasiada luz em todo o lado. Vivemos a olhar para o nosso umbigo… somos tão parolos… safa, apesar de já termos estragado parte de África, temos tanto a aprender com ela…

E não julguem que estou armado em espertinho… o que descrevo, descobri pelo facto de ter saído. Estou-nos a ver de fora. Estou-nos a ver de um continente que na sua maioria vive com dignidade e alegria na pobreza. Estou-nos a ver de um local onde nada é mais importante que a família, a comunidade (amigos). Alguém na família que esteja melhor que os restantes divide a sua riqueza com todos. Estou num local onde a experiência de vida dos idosos é a sua maior riqueza e não o património imobiliário. Estou num local que é tido pelos países “civilizados” como atrasado, subdesenvolvido e no entanto, a nível comunitário, todas as decisões são tomadas por homens e mulheres em conjunto devido a ser sabido que têm diferentes pontos de vista. Num local onde uma criança de 15 anos já tem a postura e raciocínio de adulto. É verdade… não é só a minha opinião, mas sim a opinião generalizada de quem conheça a realidade europeia e esteja agora a morar em África.
Vejo a nossa cultura de um local que apesar de ter sido brutalmente explorado e sofrido nos últimos séculos barbaridades indizíveis pelas quais somos os principais responsáveis continua a tolerar a presença dos europeus e a ser na generalidade amigável.
Vejo a nossa cultura de um local onde crianças entre os 6 e os 18 anos, a viver numa daquelas casa para crianças que comeram o pão que o diabo amassou se reúnem uma vez por semana, sozinhas e por sua livre e espontânea iniciativa de modo a discutir e resolver os problemas e o dia a dia da sua pequena comunidade… impressionante!

Será que fizemos tudo errado? Por que diabo julgamos que tínhamos o direito de chegar a um continente, sugar os seus recursos e riquezas e escravizar as suas gentes? Porquê “civilizámos” à força e sem qualquer respeito pela cultura local as gentes de África só porque se encontravam num estado de desenvolvimento bélico mais atrasado? Sim, porque se pudessem, teriam certamente dado luta… Porque não aproveitamos para aprender, trocar ideias e enriquecer ambas as culturas?
É fácil pensar que os pretos são burros, ou que os azuis são tarados ou que os vermelhos são cínicos, que os brancos são ambiciosos e egoístas, etc. Nós temos, em geral, o raciocínio lógico mais desenvolvido, eles, a intuição, a sensibilidade, a inteligência emocional . Por vezes os africanos têm dificuldade em nos acompanhar em raciocínios que para a nossa cultura são naturais, desde sempre que somos estimulados para a lógica. Desde pequenos, a nossa vida é na base do “se x então y”. Eles não. Ou pelo menos não tanto. Mas e nós? O que sabemos nós da cultura deles? NADA! Nós é que devemos parecer completamente BURROS. Escolhi a palavra “parecer” de propósito. Porque numa generalização como esta que estou a fazer, não há lugar para burros ou inteligentes, o que há são culturas diferentes. É obvio que há pessoas mais ou menos inteligentes em todo o lado. Acredito sim que certas etnias têm maior predisposição para determinadas áreas, isto claro, generalizando. Os africanos têm, por exemplo uma noção de ritmo invejável, são bons em relações humanas, inteligência emocional, são hábeis, têm uma capacidade de adaptação bombástica, os asiáticos têm boa capacidade de raciocínio analítico e são minuciosos, etc. etc. etc. Nós confiamos na lógica. A ciência é o nosso Graal. O deles? A intuição, sensibilidade. Quem está certo? Quem está errado? Ninguém. Será isso tão difícil de compreender aos chamados racistas que não faltam em todas as diferentes etnias? Sim etnias, porque raça há só uma: humana.
Reforço que nestas últimas linhas estou a fazer algo que não gosto muito. Generalizar. Claro que há excepções e se calhar não são poucas, mas eu estou a falar da generalidade.

Nas minhas primeiras vindas a África vinha com um cocktail de preconceitos impostos pela comunicação social que nas últimas décadas só nos faz chegar mensagens de desgraça e miséria. Mas a culpa não é dos jornalistas. Esses só fazem o que lhes mandam fazer. A culpa é dos directores das estações que só os mandam para tragédias. Mas o trabalho dos directores é fazer com que as cadeias de TV dêem dinheiro e isso consegue-se mostrando o que as pessoas querem ver. Assim, em última análise a culpa é do suspeito do costume… a sociedade. As TV só mostram desgraça, porque é o que as pessoas querem ver. A desgraça alheia vende… Infelizmente. Quem é o psicólogo que me explica isto?
Como se não bastasse ainda vendemos para África, através das novelas, uma ideia de que a vida na Europa e USA é um mar de rosas. E depois é vê-los aos milhares a arriscar a vida para atingir um eldorado que não é bem o que pensam… só na faixa mediterrânica morrem em média por dia cinco emigrantes ilegais. E a tendência está a aumentar…
Como eu estava a dizer, nas minhas primeiras vindas a África fiquei espantado… há ar e não é tóxico! Continuo e vou confirmando as minhas restantes suspeitas… há solo, firme e fértil. Há água, há sol, há crianças alegres, há tudo! Ainda por cima, o clima parece mais agradável que o gélido norte da Europa. Então por que raio de razão África de encontra neste estado? Rapidamente chego à brilhante conclusão de que África sofreu e sofre ainda por causa do modo como foi explorada, mal colonizada e pior descolonizada pelos nossos antepassados. Brilhante… ou então não. Porque é que fomos nós a colonizar África e não o contrário? Pois é… África sempre teve um estado de desenvolvimento económico inferior à Europa... porquê?

A continuar…

Twenty six…

2ª Feira, faço 26 anos… já tou mais para os 30 do que para os 20… este filme passa maningue rápido… Quanto mais vivo mais aprendo e isso há de fazer de mim uma pessoa melhor. Bom, pelo menos até um certo ponto de viragem que espero que ocorra lá para os 90 anos!
Um dia destes e tenho de ir trabalhar (ainda por cima com poucas horas de sono) … bahhhhh… mais uma das injustiças deste mundo… aniversário devia ser feriado pessoal. Porque raio não tenho de trabalhar p.e. em feriados religiosos que nada me dizem e tenho de trabalhar hoje que me apetecia andar a pé pela marginal a beber água de coco e a pensar na vida? Acho que vou instituir na minha constituição pessoal um feriado privado. O dia de anos!
Estou particularmente pensativo e pouco produtivo hoje… deve ser normal… não consigo deixar de fazer um balanço dos últimos anos… é o meu primeiro aniversário pós licenciatura… “…what if?” penso nos vários caminhos que podia ter tomado, nas subtis coincidências que me trouxeram até aqui e no caminho que estou a seguir… Qual é esse caminho? Não sei muito bem… Ainda. Assim como a terra é uma esfera quadrada que gira parada à volta do sol, e Deus escreve direito por linhas tortas, também a vida é uma encruzilhada de possibilidades e improbabilidades, opções e imposições, encontros e desencontros. Nunca saberemos o que podíamos ter sido ou tido, o que devemos é saber quem somos e fazer o melhor possível com isso!
Ao fim da tarde reúno os novos amigos à volta de uma mesa para dois dedos de conversa e depois é jantar em casa com os “manos” e cama porque os dias cá começam cedo.

Desigualdade de desenvolvimento

Tudo isto faz com que a minha velha ansiedade sobre as injustiças do mundo e a desigualdade de desenvolvimento volte aos lugares cimeiros do meu processador cerebral.
Como é que nós conseguimos dormir descansados quando gastamos mais num simples jantar e cinema do que a média anual per capita gasta em cuidados de saúde em muitos países?
Como é possível gastarmos individualmente centenas de litros de água por dia quando no mesmo mundo e no mesmo dia há milhares de pessoas a morrer por não terem acesso a água de fonte segura?
Como é que se gastam milhões em cosméticos num mundo onde há seres humanos a morrer à fome?
Enfim, podia continuar com estas comparações “mediáticas”, mas o facto é que nunca como hoje soubemos tão bem que há muita gente em sérias dificuldades por esse planeta fora e nunca como hoje tivemos tantos meios e tecnologia para os ajudar.
Será que somos todos autistas?
Faziam ideia que menos de 5% das crianças infectadas com SIDA tem acesso a tratamento com anti-retrovirais? Pois é… custam um balúrdio… Há tecnologia e meios para produzir em grande escala e baixo custo. Só falta humanismo por parte das farmacêuticas que não abrem mão dos direitos… Oxalá houvesse por todo o mundo mais pessoal com a garra dos brasileiros que começaram a produzir os medicamentos mesmo sem licença. É certo que as farmacêuticas precisam do dinheiro para financiar a investigação responsável pelos avanços, mas que façam isso com o dinheiro dos direitos dos medicamentos vendidos nos países ricos. Os países pobres, está mais do que provado, não vão pagar o preço exorbitante que pedem e as pessoas vão continuar a morrer… Que raiva…
Bem… vamos lá ver onde é que estas deambulações me levam… pode ser que não venha mesmo a ser o Yuppie que há algum tempo decidi que nunca seria (mas que nos últimos meses, e principalmente durante a fase “contacto” em Lx me aproximei perigosamente…).
O futuro está turvo mas tenho ouvido bastante música africana (Mabulu, Ali Farka Touré, etc.) e sinto-me feliz. Tudo há de correr bem!
Vim a saber pouco depois de escrever as linhas a cima que o Ali Farke Touré tinha acabado de morrer devido a um cancro… uma perda. A “ai du” e a “soukora” saltam imediatamente para a minha playlist e faço uma pausa para as escutar em silêncio.

ressaca...

Dolce faire niente

Domingo! Dia santo! Vamos ao mercado comprar peixe, camarões, amêijoas e lulas. Sob ordens da excelência culinária da Elisa (directora de missão dos jesuítas em Moçambique) lá sai um arroz de marisco de meter inveja a qualquer omnívoro pensante e o pacato almoço acompanhado com agradável conversa dura até cair a noite. O dia acabou com uma sessão de cinema “O fiel jardineiro”.
Está decidido, o Fernando Meireles é um dos meus realizadores favoritos. Muito bom! Safa… tem cenas geniais! A ver o filme reúne-se um grupo curioso. Um farmacêutico, uma enfermeira/veterinária a tentar fazer investigação na área da tuberculose, duas directoras de projectos de ONG, e para inflamar as discussões com as nossas mentes pragmáticas: Eu e o Osvaldo, engenheiro e gestor! O filme é polémico e mete bem o dedo na ferida… africa abusada e explorada pelos países ricos, farmacêuticas sem escrúpulos, TB a regressar e dizimar a humanidade, trabalho das ONG, missionários, voluntários, etc… O filme certo visto com as pessoas certas e no local certo! Pena foi o sono já apertar pois pouco tínhamos ido à cama na noite anterior senão a discussão tinha dado pano para mangas.

armados em zé "nites"

Sexta foi naturalmente um dia difícil. Chega a noite! O destino chega por sms. Parece que há umas Jam Sessions no Gil Vicente que costumam ser boas. Vamos ver!
O ambiente está espectacular. Vários grupos ou indivíduos vão ao palco e cantam/tocam 3 ou 4 músicas. Alguns são fantásticos! Hendrix, Bob e até Rui Veloso levam o pessoal ao rubro. Ouvimos um bocado de tudo e fartamo-nos de abanar o capacete. Travamos conhecimentos com pessoal que por lá está e até com alguns dos músicos.
Conheci a directora financeira da fundação Agha Kan em Moçambique. É a Filipa, veio para cá no mesmo programa de estágios que eu e ficou! Aprendo um bocado sobre os Ismaili e o trabalho que a fundação desenvolve.
Com pena de todos no bar, e depois de vários regressos ao palco dos melhores da noite o Gil lá começou a ficar vazio. Eram umas 3 da manhã. E agora? Coconuts? Lounge?... nahhh… tamos numa mais local. Decidimos ir para a baixa conhecer o famoso “Luso” que nos falam desde o 1º dia. Chegados à porta o nome promete… “LUSO: cabaret – ‘nite’club”
Entramos e a praxe lá dentro é violenta. A mistura é no mínimo curiosa. À fauna do típico bordel (kengas e clientes típicos) misturam-se alguns estrangeiros, estrangeiras e moçambicanos que por lá param como se estivessem num bar normal.
Volta e meia lá aparece uma “dançarina” no varão! Está bonito isto… mais uma para currículo… ir a um bar de kengas… Estou indeciso se coloco esta experiência imediatamente acima ou abaixo da condução de um Land Rover a pingar óleo e fazer fumo pelo corredor das hortaliças de um hipermercado de uma conceituada cadeia portuguesa na lista das coisas improváveis que já fiz.
Peço uma laurentina e bebo pela garrafa (ai não… safa…).
Menos piada acho ao assédio constante que sofro apesar de estar sempre junto a uma amiga nossa que nos acompanhava… puxa que são chatas. Finalmente ao fim de 1 hora já todas as zelosas “funcionárias” disponíveis tinham percebido que nem eu nem nenhum do grupo estava cliente e lá descolaram. Na pista, a “pássada” vai alternando com uns sons mais europeus e já passava das seis da manhã quando vamos descansar as pernas. Foi giro numa de experiência, de praxe… mas não para voltar regularmente…

Polícia e cine bar África

Principio da tarde. Circulo pelos arredores de Maputo a caminho do estaleiro já perfeitamente adaptado à condução africana e à simetria do toyota. Com uma mão no telemóvel e outra no volante a dominar uma sessão de slalom para não acertar nuns mega buracos sinto-me um perfeito local! Eis senão quando me salta um polícia para a frente de apito na boca e mão ao alto. Já fui… branco, carro estrangeiro (o carro, da empresa, tem matricula da Suazilândia) … vou abrir os cordões pensei… Parei e o polícia aproximou-se, cumprimentou e perguntou: “para onde vai?”
Não sei por alma de quem a minha resposta foi: “Vou para o Zimpeto. Porquê? Quer boleia?”
Incrível… como é que me fui lembrar de dizer aquilo? Que lata… Safa… A verdade é que o policia não levou a pergunta a mal, entrou na boa onde e a partir daí foi só conversa fiada até que me mandou arrancar. Nem documentos pediu… isto é preciso é descontracção e estupidez natural!
Trabalho-casa, casa-trabalho lá passou parte da semana e chegou a esperada quinta-feira! Noite famosa no cine-bar Africa! Estávamos ansiosos por ir conhecer tão badalada catedral (qual lux…) da noite “do” Maputo. Chegamos a casa, mortos como sempre, mas um duche frio e um café levantaram o moral das formigas e após demorado repasto num tasco mesmo à porta de casa lá arrancamos transformados em boémias cigarras. Durante o caminho curtimos uma das fantásticas trovoadas secas de Maputo. Os relâmpagos sucedem-se durante horas, mas chuva nada. Escusado será dizer que este espectáculo dá um enquadramento tipo Fantasporto às ruas.


Chegamos. Paramos orgulhosamente o chasso à porta. O ambiente promete! Pelos vistos à quinta há sempre musica ao vivo e hoje são uns Tanzanianos que num estilo afro/sul-americano/jazz/xpto/gti lá vão tocando musicas africanas salteadas com pérolas como o “para bailar lá bamba” (não me lembro o nome da música…) lindo! Um espaço muito fixe, bem decorado e com uma fauna amigável. Havemos de voltar para curtir um bom som, umas laurentinas e dois dedos de conversa com tudo quanto é gente na cidade (sim, porque gente que é gente passa pelo africa na quinta à noite). O maldito relógio já vai quase nas 2.30 quando resolvemos ir embora… a alvorada é por volta das 6/7horas da matina porque nós estamos cá é para trabalhar! Quando saímos chove a bom chover… chuva quente e forte ensopa tudo e todos numa questão de segundos. O velhinho toyota – em modo anfíbio – lá vai saltitando de charco em charco e leva-nos sãos e salvos a casa.
Pedindo mais um milagre entramos no elevador lentaaammmmeeennnnttteeee lá chega ao nosso piso (para os mais cépticos lembro que em 3 elevadores, 2 demonstraram a teoria de newton e caíram… mesmo… um deles vinha do 20º andar cheio de malta e caiu do 4º, o outro nem me atrevo a perguntar…). Sem mais conversas, dentes lavados, xixi cama! O ambiente na casa é lindo, daqueles só possíveis neste sul do mundo. Temos as janelas abertas o que faz com que corra uma brisa (a fugir para o vendaval) pela casa. O vento quente que embala, os clarões da trovoada e o barulho incessante da chuva fazem me adormecer com um sorriso nos lábios! Africa no seu melhor!

MAPUTO@LAST!

Maputo

Maputo é de facto uma cidade sui generis. A grandiosidade com que foi planeada e construída, os mimos disponíveis (centros comerciais ao estilo europeu, restaurantes, salas de espectáculo, health clubs, etc.) e a vida cosmopolita e animada que levam os seus habitantes encontram a cada esquina poderosas antíteses. São caixotes de lixo submersos de tão sobrecarregados, são as ubíquas shotguns e kalashnikovs que sem pudor se mostram pela cidade a qualquer hora e qualquer lugar, são as heranças de guerra como o não parar nos vermelhos à noite e as grades em todo o lado.
Charmosa e problemática, Maputo é ao mesmo tempo capaz de envergonhar Paris e rosnar a São Paulo! Tão depressa estamos num climatizado centro comercial a levantar dinheiro em modernas ATM como de seguida encontramos os guardas à porta do prédio a jogar damas num tabuleiro de cartão com as casas traçadas a bic cristal em cima de uma cadeira de plástico apenas com duas pernas. E as peças? Caricas. De Laurentina (cerveja) para um e para o adversário, de Coca-Cola! Outras vezes, regresso a casa mais tarde e lá estão eles a cumprir o seu dever: dormir ferrados.

Tão depressa apanho um táxi torto e podre onde pura e simplesmente as portas não fecham, abana por todos os lados, está sempre a ir abaixo, só trava de duas rodas, etc. etc. etc., como de seguida vejo passar um HummerH2, ou um qualquer BMW ou Mercedes topo de gama. Muitos carros têm as peças marcadas para não serem roubadas – por exemplo, cravam-se as portas com rebites escrevendo siglas.
Tudo se vende nas ruas: artesanato, mont blancs, tanques de água, rolex, ray ban, fruta, legumes, peixe, pregos, escapes, fichas triplas, recargas para telemóvel (giros), tabaco avulso, etc. etc. etc., tenho a certeza de que se perguntar, até caixões me aparecem para escolher e regatear preço.

Uma nova cultura urbana com bastiões como o Hip-Hop e os carros “tunning” contrasta com as romarias das mais variadas crenças indígenas. Para os lados da costa do sol, até de madrugada se vê pessoal com trajes estranhos no mar, com água pela barriga a fazer feitiçarias.
E a diversidade étnica e cultural? Melting pot! Olho para um lado e vejo uma mulher muçulmana tradicional a fazer caretas com um bebé loirinho ao colo de uma senhora preta. Olho para o outro e vejo passar indianos, asiáticos e pelo meio alguns tugas de gema (pança, camisola de cavas e tudo!).
Os milhares de milhões de cafés e esplanadas da cidade são do melhor para beber tudo isto e empurrar com um copo de laurentina gelada!

Nas mesmas condições que eu vieram para Maputo mais 4 estagiários e resolvemos morar juntos. Alugámos um fantástico e enorme “flat tipo 4” com um salão de baile. Vamos ficar os 5 durante os 9 meses do estágio a pasmar com a vista do nosso 12ºandar… As traseiras têm vista para o mar. Curtimos costa até onde a vista alcança para os dois lados e de noite, por vezes, uma gorda e amarela lua surge do Indico e sobe, entrando-nos pela sala e cozinha dentro.
Para a frente, temos o cruzamento das que são as principais avenidas da cidade e avistamos pérolas como o famoso Piri-Piri. Como não podia deixar de ser, toda a grandiosidade do nosso prédio, a inteligência com que se encontra dividido e a sua localização fantástica contrastam com um avançado estado de degradação, com as portas duplas com grades, várias fechaduras, barras de ferro e cadeados. Quando finalmente abrimos as portas do nosso refúgio e pomos o pé no hall, há por lá sempre baratas (de dimensão generosa) a passear. Dos 3 elevadores apenas um se encontra a funcionar e esse… Jesus… abana, chia, treme, geme e tem tantos truques para ser utilizado que o condomínio contratou dois “motoristas” – o Sr. João e o Sr. José. Fazem turnos de 24 horas, alternados para a “condução” deste estóico tributo à engenharia portuguesa!

Tenho conhecido muita malta interessante. Alguns são ex estagiários do mesmo programa em que estou que aceitaram propostas de trabalho cá, outros, pessoal de ONGs, missionários, etc. Aprendo que afinal o país ainda não está desminado, acabou foi o dinheiro dos projectos de desminagem que havia e assim as ONG que tratavam disso foram embora, deixando ao esquecimento um problema bem real. Aprendo. Aprendo isso e outras coisas.

test

buhhh